Se eu disse uma vez, já disse 600 vezes: comédias românticas fazem parte da linha extremamente tênue entre bom e ruim, contendo vários exemplos dentre os eixos da linha. Infelizmente, me parece que as mais recentes produções do subgênero caem no eixo negativo. No final, veremos em qual lado Solteiramente se encaixa, mesmo que fique explícito ao longo do texto.

O filme sul-africano original da Netflix conta a história de Dineo (Fulu Mugovhani), funcionária de uma agência de redes sociais e defensora intensa da monogamia, fortalecendo o estereótipo da mulher que se apaixona por um único cara e sonha com o casamento no primeiro dia do relacionamento, mas sua felicidade acaba no momento em que recebe um presente de término (isso mesmo) do namorado. Ela afoga suas mágoas no álcool quase o filme inteiro, mesmo quando sua melhor amiga, Noni (Tumi Morake), tenta levantar seu humor infinitas vezes e explica que ser solteira não é o apocalipse. Adivinha só, filhona: não é o fim do mundo, mas o filme defende ser algo mau e promove outros conceitos extremamente antiquados em meio ao roteiro miserável.

Comecemos pelos pontos positivos, sendo o principal deles o fato de que não precisamos compartilhar todo aspecto de nossas vidas nas redes sociais. O último ponto é Noni, que parece ser a única personagem, assim como o bartender Max (Yonda Thomas), ciente de que estamos no século XXI e que o argumento “marido + filhos = felicidade” é coisa do passado. Por falar em passado, o resultado do turbilhão retrógrado se personifica em Dineo. Além de ser super desinteressante, a jovem passa 1 hora e 46 minutos reclamando sobre como estar solteira é péssimo e como ela precisa de um homem para ser feliz. AMADA?! ESTAMOS EM 2020!!! Em que década você vive?! Para piorar, a cada desilusão amorosa, Dineo enchia a cara, ou seja, ela encorajava um vício mortal provocado por uma razão idiota. Nas palavras de José Luiz dos Santos Leite, avô da saudosa Fernanda Young, “nunca beba por desgosto”. Dineo, meu anjo, você devia ter escutado o senhor.

Se este filme fosse feito em outra geração e se pasasse em outra geração, talvez seria aceitável. Mas nenhuma dessas alternativas se aplica e infelizmente isto não é uma sátira ou crítica aos padrões retrógrados que mencionei. Não vou criticar os leitores que podem ter gostado dessa tentativa falha de comédia romântica, mas me preocupo com sua mentalidade.

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