De uma humanidade indescritível. “O substituto” nos leva a um mundo tão cotidiano e, ainda sim, tão sensível. Um mundo vivenciado diariamente por não somente educadores, mas por tantas outras pessoas. Um mundo em que temos que abafar nossas emoções para sobreviver, embora quase que naturalmente sejamos cheios delas. Submergimos-nos à rotina de Henry(Adrien Brody), professor substituto que dá aula em uma escola de classe média baixa, onde aparentemente a maior parte dos alunos se mostram agressivos e sem senso de respeito ao próximo. Algo cada vez mais vivenciado pelos profissionais da educação, infelizmente. Nosso protagonista lida com precisão, ao mesmo tempo em que não faz uso de violência alguma à que lhe é dada.

Mostra-se não somente um excelente educador como um humano de primeira qualidade. Mas, assim como aquelas pessoas, ele tem problemas. Não se deixa afetar pelos seus como seus alunos, mas eles existem. Seu avô tem alzheimer e é cuidado em uma casa de saúde para idosos, fato que mexe com seu presente, e remete ao passado sombrio do professor. Sua infância fora marcada pelo descontrole da mãe, pela inexistência de um pai e, somadas tais ausências, resultou no seguinte produto: um homem fechado. Um homem que vê na troca constante de local de trabalho a solução para não criar laços com mais ninguém. Seu bloqueio emocional é tão grande que se reflete nas mais simples interações sociais que sejam. O que não interfere, em momento algum, na qualidade de tratamento com as pessoas de sua vida.

Uma das melhores cenas é, sem dúvidas, a que o personagem resgata uma prostituta, que na verdade é uma adolescente, e cuida dela em sua casa. A menina, que não aparentava ter mais de 16 anos, pela primeira vez sente-se cuidada. E o homem, embora tente ao máximo evitar relações interpessoais, não consegue evitar que se importe com o humano. Em contraste a isso está a atitude em geral dos pais e dos próprios estudantes do colégio, que demonstram ao longo do filme serem de viés cada vez mais violento e ignorante.
O imediatismo, impaciência e agressividade são o câncer da geração pós-modernista. A omissão por parte da família, o laissez-faire em que a escola acaba se condicionando e o cada vez mais constante inibir sentimental traz regresso para todos. “O substituto” nos faz refletir sobre como lidamos com nossos sentimentos e com o dos outros. E prova em todas as suas cenas que a violência só pode gerar violência como retorno.

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