Uma semana após o Dia Internacional da Mulher (homenageado em nosso Especial Dia da Mulher), a biografia do, talvez, maior mulherão de porra de toda a história chega aos cinemas brasileiros. Ruth Bader Ginsburg, Ministra da Suprema Corte americana, teve 15 anos de sua incrível vida retratados no longa que recebeu a justa tradução para Suprema, não só porque o título original seria motivo de várias piadinhas sujas, como descreve a própria Ruth. Não é perfeito, mas entrega o que prometeu e, ao meu ver, serve de manifesto de direitos civis.

Sua trajetória absurda começa em 1954, quando a jovem Ruth (Felicity Jones) era uma das nove(!) alunas de direito em Harvard. Os ataques por “ocupar o cargo e curso que deveria ser de um homem” e completo desrespeito dentro e fora do ambiente já ficam evidentes de que algo não tá certo. Quinze anos se passam e tudo se torna cada vez mais claro quanto à óbvia discriminação de gêneros, dita “constitucional” até o início da década 70 e “inexistente” por alguns neandertais de gravata. Alguns desses primitivos e até poucos que a apoiavam disseram que ela iniciaria uma guerra. Como eram ingênuos! Ginsburg fortaleceu movimentos que foram crescendo com o tempo e fizeram do mundo um lugar melhor e mais justo. É uma batalha que continua e seu nascimento, no filme, é retratado de uma forma que me arrepiou.

O prólogo.

Por mais que a trama seja brilhante, o produto final tem seus defeitos. Poucos, mas notáveis. Em certas cenas, parecia que o fundo era um tela verde mal-trabalhada e se a imagem vista era verdadeira, a fotografia pode ter deixado mais estranho ainda. O roteiro é, no mínimo, competente, tem seus vários momentos de valor, mas não foge do schmaltz (sentimentalismo). Felizmente, somos recompensados, principalmente pelas atuações. Felicity Jones arrebenta interpretando mais uma mulher real e poderosa, cheia de presença, atitude, e é a força motriz do filme. Peço desculpas à Natalie Portman (anteriormente cotada para a protagonista), mas Jones foi a escolha perfeita. Impossível imaginar outra atriz vivendo a musa que Ginsburg é. Senti saudades dela e de seu talento! Ao seu lado, Armie Hammer vive Martin, marido de Ruth e o único homem do filme que não é um cuzão completo. Mais uma perfomance comprovando ser um nome promissor desde o lindo “Me Chame Pelo Seu Nome”, além de ser um dos homens mais maravilhosos do cinema atual. Casting perfeito para o casal! Além disso, a trilha sonora intensifica a emoção de vários momentos e deixa os calafrios ainda mais inevitáveis.

O apogeu.

Impossível não apreciar e reconhecer a diferença/contribuição que Ruth trouxe à sociedade. Os Estados Unidos foram apenas o começo, apesar de existirem pessoas que insistem em levar o mundo para trás. O resultado de Suprema merece penetrar as mentes desses primitivos e fazê-los refletir. Enquanto isso não acontece, digo em nome de todos: muitíssimo obrigada, Sra. Ginsburg. Nenhum de nós seguiria as carreiras que desejamos se não fosse por você. Nossa gratidão é eterna.

O finale ainda sendo escrito.

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