Confira a crítica da Parte 1 aqui. Caso você não tenha visto a Parte 1, recomenda-se fortemente que você leia a crítica e a veja antes de ler este artigo.


Coisa de 3 meses atrás a Netflix disponibilizou, meio que do nada, a Parte 1 de Sword Gai: The Animation (se você não viu a Parte 1, veja antes de ler este artigo, pois ele terá spoilers dela). Em nossa crítica de então, demos uma nota 2,5 de 5 porque tratava-se de um anime extremamente genérico e derivativo, com um roteiro bagunçadíssimo que apresentava personagens a cada episódio sem desenvolvê-los, tornando-os criaturas de uma só dimensão. E, para piorar, ainda tinha uma estrutura episódica completamente maluca que contribuía para o mal desenvolvimento dos personagens e que terminava essa parte 1 (que à época não se sabia ser uma parte 1, mas imaginava-se ser uma temporada) de forma abrupta, sem qualquer clímax ou coisa do gênero.

Contudo, mesmo dentro do mar de clichês apresentados, a Parte 1 conseguiu funcionar minimamente por causa do lore fascinante apresentado referente às espadas demônio, das excelentes cenas de ação e de um estilo de animação que, em sua maior parte, é bem agradável, em especial nas narrações das histórias das armas apresentadas. Foi justamente ao se valer desses clichês com muita competência que o anime encontrou seu norte.

Com a Parte 2 estreando, portanto, fiquei aqui na expectativa que os personagens seriam finalmente desenvolvidos e aquela sensação “já acabou essa porra???” sentida ao final da Parte 1 se perderia, já que, em sendo uma segunda parte, a coisa toda que ficou totalmente suspensa e sem qualquer clímax poderia se resolver lindamente agora nessa 2a parte.

Infelizmente, a expectativa é a mãe de todas as frustrações e aqui não foi diferente. Os personagens passam sim a ser desenvolvidos, mas de uma forma porca e que permanece com uma só dimensão. Há uma encheção de linguiça (o que meu sócio e amigo Ryan Fields gosta de chamar de filler) na mesma medida que na Parte 1 e, ainda que seja feito um melhor trabalho de se guiar a história para seu desfecho ao final do que na 1a parte, esta parte é encerrada de forma morna e, mais uma vez, abruptamente.

Isto sem contar, mais uma vez, na insistência em se dar tempo de tela ao triângulo cabeleireiro vingativo da espada de gelo, velha gorda do martelo boladão e gostosa inacreditável de uma arma que sequer aparece nessa parte 2. Todos estes 3 personagens não têm absolutamente nenhuma contribuição a ser dada ao arco principal, assim como no episódio da 1a parte que foi dedicado a eles e que não avançou em nada a história.

Além disso, com (finalmente) o abandono da lógica de apresentação de personagens novos a cada novo episódio, perdemos também as belas e hachuradas animações que apresentam as origens das armas, até mesmo porque apenas uma arma nova é apresentada nessa Parte 2 e nem uma arma é, mas um instrumento de tortura que passa a ser utilizado por um personagem chatíssimo e tão unidimensional quanto os demais.

Feitas as apresentações na 1a parte, esta aqui realmente está livre para desenvolver os muitos personagens apresentados e finalmente se decide em um foco ao solidificar a rivalidade entre Gai e Shin como principal força motriz da obra, mesmo que desvie disso por diversas vezes. Logo de cara, contudo, dá um imenso tiro no pé ao matar o melhor e mais carismático personagem de toda a série logo em seu 1o episódio na intenção de melhor desenvolver Gai. Só que Gai é um porre e a maior parte do tempo a gente torce para que a Shiryu dentro dele o possua de uma vez e acabe com seu (e nosso) sofrimento.

O mesmo vale para Shin. Ambos têm uma espada Shiryu dentro de si e o principal desenvolvimento dado a eles enquanto forças que se opõem é que um usa uma calça escura e um casaco claro e o outro uma calça clara e um casaco escuro. A mesma falta de profundidade de personagem é sentida também no principal vilão, Grimms, o busoma gigante boladão da foice que é só isso. Não se sabe mais qualquer coisa sobre ele que não que ele é mau igual ao pica-pau e quer aniquilar toda a humanidade. Não há motivação, histórico e/ou desenvolvimento. Ele apareceu brevemente na primeira parte como sendo só isso e aqui na 2a ele permanece assim, com os criadores preferindo falar do trinômio cabeleireiro/gorda/gostosa em vez de desenvolvê-lo.

Mas o pior mesmo e que faz com que esta parte seja inferior a 1a é que ela abdica de forma inexplicável das muitas e boas cenas de ação da anterior. Temos uma quantidade enorme de duelos que começam e terminam rapidamente com alguém fugindo, ou com pessoas sofrendo ferimentos mortais e aparecendo horas depois como se nada tivesse acontecido. Um certo busoma que usa pistolas é morto por Matoba em um episódio e 3 episódios depois ele está lá lutando com Gai normalmente. A luta final, por sua vez.

A 2a parte de Sword Gai: The Animation é um passo atrás em um anime que já não havia deixado tanto espaço para se andar para trás na sua 1a parte. Retendo os pontos negativos e se livrando de boa parte dos pontos positivos da 1a parte, a 2a parte continua sendo um anime muito genérico, com um roteiro enfadonho de diálogos bobos e com uma ação, ponto alto da 1a parte, que dá espaço a um dramalhão juvenil.

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