Raramente eu peço filmes para a diretoria do MetaFictions, da qual, inclusive, faço parte. Mas assim que vi o trailer desse filme tive 2 certezas: que eu faria a crítica e que o filme seria uma merda retumbante.

Bem… cá estamos com essas duas certezas confirmadíssimas.

Minha reação ao ver o longa (com óculos 3d).

Enquanto professor de geografia, eu pedi para resenhar este longa com a esperança dele ter elementos mínimos que me fizesse usá-lo para dar aula sobre quadro climático global, substituindo o INCRIVELMENTE superior “O Dia Depois de Amanhã” (e dizer isso quer dizer muito sobre quão bosta é esse filme).

A obra gira em torno da nossa resposta às mudanças climáticas severas que virão a assolar a Terra em 2019. Qual resposta foi essa? Um ato de cooperação entre nações completamente impossível do ponto de vista do tempo, financeiro e de engenharia.

1270 dessas belezuras orbitando a Terra.

Uma rede de satélites controlada pela estação espacial internacional passa a cobrir a Terra no projeto apelidado de Dutch Boy. Sempre que eventos extremos estão para se formar, esses satélites conseguem manipular pressão, umidade e temperatura, salvando milhões de pessoas de serem castigadas pelos elementos climáticos.

Tudo vai por água abaixo quando esses satélites começam a apresentar mau funcionamento e eventos meteorológicos extremos pouco ou nada costumeiros assolam certas regiões do globo.

Afeganistão com neve… com um mínimo de pesquisa saberiam que isso ocorre costumeiramente (mas não nessa intensidade).

Eis que Jake Lawson (Gerard Butler), engenheiro que concebeu e supervisionou a construção do projeto Dutch Boy, é chamado por seu irmão, Max Lawson (Jim Sturgess), para descobrir o que está acontecendo e evitar a temida geostorm, evento climático acentuado pelos satélites em uma escala global.

O filme apresenta certos comentários políticos interessantes, mas eles são muito rasos, focando apenas na culpabilidade dos EUA sobre o agravamento das catástrofes climáticas globais, sem maior discussão do assunto.

Como evento climático provoca tsunami de 200 metros?

Outro ponto muito negativo é a total falta de conexão com qualquer personagem. Ao ponto de o único ser que eu queria que sobrevivesse era o “catioro” indiano que estava fugindo de uma série de tornados. Todos os demais são extremamente rasos e sem motivação alguma.

Sempre que eventos eram mostrados ao redor do mundo, incluindo aqui uma longa cena de Copacabana, Ipanema ou qualquer praia dessas, a população local era retratada de forma caricata, reforçando estereótipos um tanto nocivos sobre a diversidade cultural do nosso mundão.

Não importa o dia do ano. Praias sempre lotadas de cariocas com corpos esculturais.

De longe, o que mais incomoda no filme é a forma exagerada e totalmente irreal de como tudo que envolve engenharia e eventos climáticos é retratada. Temos raios explodindo prédios, granizo do tamanho de carros e calor ao ponto de explodir tubulação de gás abaixo da terra. Meus alunos ficariam estarrecidos com a forma que o filme nos trata, ofendendo nossa inteligência.

Tempestade: Planeta em Fúria perdeu uma boa oportunidade de tratar uma temática muito em voga de forma levemente mais política e/ou científica. Até Ed Harris faz filme ruim, né?

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