Exatamente há 10 dias, o mundo otaku contemplava os vencedores do Anime Awards 2021, num evento online (clique aqui para ver os vencedores e indicados) que 90% das pessoas que assistem animes sequer sabe que existe, ou seja, ninguém liga. Contudo, fazendo parte desses 10% de pessoas que vivem num universo paralelo, estava lá torcendo pelas minhas obras favoritas depois de ter maratonado nas semanas anteriores alguns indicados com narrativas, interpretações, animações, designs e direções de altíssimos nível, como “The Great Pretender”, “Jujutsu Kaisen” e o maravilhoso “Keep Your Hands off Eizouken”. Além disso, durante esse mesmo período, também fiz um intensivo com minha namorada em todas as temporadas de “Attack on Titan” e “Demon Slayer”, para que ela pudesse acompanhar o lançamento dos novos episódios comigo. Apenas para deixar registrado, na semana passada, fiz para o site o spin-off de “Jojo’s Bizarre Adventure”, “Assim Falava Kishibe Rohan“, que não deixou essa sequência cair de qualidade.

Todos sabemos que em qualquer mídia audiovisual (e talvez em tudo no mundo), a média de qualidade é sempre mediana, com poucas coisas realmente boas e (assim rezamos) com poucas coisas realmente ruins. Vindo de uma enxurrada de bons animes, meu cérebro acabou nivelando minha expectativa lá no alto, tornando qualquer experiência que seria mediana em algo ruim. Eis que me é atribuída a missão de ver Tenku Shinpan – Sem Saída, a mais nova estreia de anime original Netflix. E, meu amigo, foi uma experiência difícil.

Temos aqui uma mistura de propostas que culminam num badalado battle royale, mas com um direcionamento meio “The Belko Experiment” e com um discurso “Future Diary”, ou seja, é um resta um que não sai apenas com vida, mas com um prêmio gigantesco que a pessoa jamais sonhou em ter e, nesse caso, sequer se candidatou à disputar. Acompanhamos Honjou, que acorda no terraço de um prédio sem saber como chegou lá, numa cidade desconhecida e desabitada e com as escadas para os andares inferiores bloqueadas. Tudo o que se pode fazer é ir de um terraço ao outro por meio de pontes suspensas ou pular lá de cima para alcançar a rua pagando com a sua vida. Em meio a isso, começam a aparecer pessoas mascaradas com armas brancas e de fogo, que mal falam ou sequer parecem pensar, mas que tentam matá-la. É a partir desse ponto sem qualquer informação que partimos nessa jornada.

Embora não possa falar muito sobre a sua trama sob a pena de estragá-la, já que o mistério é o que tenta sustentar a obra, podemos pontuar algumas coisas. Como já disse, tanto Honjou quanto nós entramos cegos nessa situação. Vamos desvendando tudo lentamente conforme as informações – todas muito fragmentadas – vão se apresentando no meio de uma relação entre as pessoas com máscara, os Anjos, e aqueles sem máscara e que possuem certos poderes, chamados de “Aqueles mais próximos de Deus”. E caso você não tenha entendido nada do que eu disse, relaxe. Durante 90% do tempo eu também não entendi e é assim que o anime tenta te prender, deixando o espectador com retalhos que você tenta remendar para ter um vislumbre de um todo. Só sabemos que ela quer encontrar o irmão e meter o pé dali. É somente no apagar das luzes que entendemos o que de fato está acontecendo, o que torna todo o tempo de assistir os seus 12 episódios um esforço considerável e que não deixa decantar o que acabou de ser revelado. Teria aproveitado muito mais caso essas revelações tivessem aparecido no início do seu terço final, o que ressignificaria seus 8 episódios iniciais e daria aos 4 últimos tempo de preparar um confronto final com um crescente mais digno.

As relações entre os personagens são rasas, com umas forçadas que despertam grande incredulidade. Nem mesmo a relação fraternal sustenta a trama, quiçá a formação de grupinhos para tentar sobreviver composta por personagens ingênuos e filhos da puta. Tecnicamente Tenku Shinpan – Sem Saída deixa a desejar, sem nada de destaque no design, animação e no universo. Você cansa rápido de ver terraços, alguns corredores e uma ou outra sala desprovida de detalhes. Embora tenha boas sacadas no que tange à violência, a execução não é chamativa, apresentando muitos cortes na hora H. O que adianta ser um anime com classificação etária +18, se na hora de explodir uma cabeça só vemos silhuetas?

Enfim, sinto que Tenku Shinpan é um anime mediano, contudo não consegui aproveitá-lo como tal, quer seja pela minha falta de paciência com a escolha de narrativa ou por ter vindo de 5 semanas mergulhado em animes que deixarão uma marca na história. Contudo, caso você aprecie mistério, violência e certo apelo sexual, vale a conferida.

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