Tendo em vista que Fields ficou um tanto decepcionado com a forma que o filme opta por tratar o telespectador, a crítica imitará a narrativa do filme. Primeiramente ela abordará como o lançamento do filme foi um marco para a NETLFIX, evidenciando diversos aspectos positivos. Em seguida, ela apresentará comentários depreciativos sobre a narrativa do longa e como alguns personagens são retratados, mas colocará panos quentes ao falar da temática escolhida para servir de pano de fundo (no pun intended) e alguns elementos utilizados para conduzir a trama. Resumindo, a crítica deixará muito pouco espaço para qualquer abordagem diferenciada na análise do longa, mas cumprirá com louvor o que foi prometido.

Durante o Super Bowl LII (yeah, Eagles!), ontem a noite aqui no Brasil, ficamos sabendo (oficialmente) que a NETFLIX lançaria o 3o filme da franquia Cloverfield assim que terminasse o jogo. Apesar de não ser uma franquia gigantesca, ela é muito querida por uma grande parcela de cinéfilos e críticos, inclusive vários aqui do MetaFictions. Tivemos o 1º filme aparecendo em nosso Top 10 Melhores Filmes de Monstros e o 2º longa foi votado como um dos melhores filmes da temporada Oscar 2017 por aquele que vos escreve (confira o Top 10 Oscar 2017).

Essa bela jogada de marketing, aliada ao público interessado na franquia, criou grande hype no longa. Ao sentar em casa hoje para assistir, senti, pela 1ª vez, aquela sensação de estar vendo algo DESTINADO ao cinema, mas no conforto do meu lar e por um preço já incluso no irrisório valor pago para ter acesso aos lançamentos originais dessa gigante do streaming. Hoje, a NETFLIX deu mais um passo em direção ao domínio da produção cinematográfica global.

E o longa? Bem, Cloverfield é um Black Mirror sobre a vida extraterrestre, seja sobre monstros ou alienígenas. Servindo como uma espécie de “pre-sequel’ (passando-se depois, mas justificando o que veio antes), The Cloverfield Paradox não foge a essa tradição e apresenta seres de outra dimensão, os terríveis e assustadores seres humanos de uma realidade pior do que a nossa. Apesar de uma proposta interessante, o longa te pega pela mão, te coloca sentadinho e explica absolutamente TUDO o que irá acontecer, deixando nenhum espaço para qualquer surpresa.

Talvez o que mais tenha deixado a desejar foram os personagens. Por usar uma tecnologia nova e potencialmente perigosa, a obra toma início em uma estação espacial onde diversos astronautas de diversas nações diferentes estão testando uma forma de produzir energia ilimitada. O senso de urgência está em todo lugar, já que a diminuição drástica de recursos naturais para 8 bilhões de pessoas eleva as tensões geopolíticas entre as grandes potências globais.

Essa tensão é incorporada pelos astronautas, mas seus discursos e posturas são uma sombra infame e estereotipada de como essas nações são vistas hoje em dia. China, Alemanha, Rússia, EUA, Reino Unido, Irlanda (oi!?) e Brasil estão representados na estação. Não vou entrar em detalhes, mas você conseguiria adivinhar a nacionalidade de cada um mesmo sem reparar nas bandeiras presas ao uniforme.

Não querendo estragar como eles trocam de dimensão (deixo para o filme fazer isso nos minutos iniciais), começa aquela receita do bolo de sobrevivência em ambientes hostis: desconfiança exagerada, atitudes imbecis tomadas por cientistas gabaritados e grandes ideias deixadas de lado para servir a uma ação sem sal. Para coroar isso tudo, ainda temos o famoso “porque sim” em diversos momentos no qual uma cena pedia que algo sem sentido fosse feito.

Foi interessante ver disputas geopolíticas nos noticiários da estação? Sim, especialmente as que envolviam a política expansionista da Rússia, que vem acontecendo a olhos nus nos dia de hoje. Foi legal ver a questão dos multiversos se comunicando? Também, mas algo que poderia ter aberto grandes discussões filosóficas fica jogado ali no cantinho. O longa desperdiça o que tem de melhor em detrimento do um produto voltado para as massas? Sim. Vale o seu tempo? Certamente.

Entendendo o Multiverso.

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