Vivemos num período em que tudo é incerto. Ministros se demitem e são demitidos, o Presidente está em guerra com o próprio país e, com um estalar de dedos, mais de 50 mil vidas são tomadas por um mal invisível. É em momentos difíceis como esses que precisamos de algo para levantar nosso humor. A segunda temporada de The Politician chegou oferecendo boas risadas e discussões para o seu tempo livre.

O sucesso original da Netflix retorna de onde paramos na temporada anterior, com Payton Hobart (Ben Platt) anunciando sua candidatura a senador do estado de Nova York. Desta vez, a oposição tem o nome de Dede Standish (Judith Light), uma senadora experiente fazendo campanha para seu enésimo mandato. A competição agora é pra valer (sem querer desmerecer quem se dedica em eleições escolares) e as intrigas são cada vez mais frequentes ao longo da trama, principalmente graças à evolução do roteiro e ao elenco estelar.

Gostaria de deixar algo bem claro: apesar de achá-lo um excelente produtor, roteirista e diretor, não suporto o Ryan Murphy. A maneira como ele trata parte de seus elencos beira a falta de ética e chega a ser preconceituosa, mas o resultado de seu trabalho, especialmente as atuações, costumam ser positivos. Mais uma vez, o elenco dá um show e dentre os artistas já presentes desde o início da temporada anterior, volto a destacar o talentosíssimo Ben Platt. Nesta fase, temos um Payton cada vez mais corrupto e egocêntrico que exibe uma espécie de dupla personalidade, vendendo a imagem de um jovem candidato progressista (com ideias realmente muito boas) e sendo, na verdade, o estereótipo populista que conhecemos há décadas nas terrinhas brasucas. Mesmo assim, o candidato tem o melhor arco narrativo da temporada e Platt arrasou como sempre, e seus aliados (interpretados por Laura Dreyfuss, Theo Germaine, Lucy Boynton, Julia Schlaepfer e Rahne Jones) e sua mãe, Georgina (Gwyneth Paltrow, surpreendendo-me de novo), não poderiam ser diferentes.

Dos recém-chegados, Judith Light e Bette Midler formam a concorrência por quem até você acaba torcendo. Light faz uma mulher acoplada à velha política que, no entanto, critica constantemente a sociedade machista em que vivemos e não tem medo de lançar umas poucas e boas. Já a Divina Miss M rouba a cena como Hadassah Gold, braço direito de Standish, e protagoniza uma das cenas mais engraçadas da série, que não vou revelar por ser um spoiler enorme. É sempre bom ver duas mulheres incríveis dominando qualquer que seja o espaço (viva o matriarcado, né?). Por fim, falo sobre o roteiro, que sofreu mudanças estruturais sutis, mas notáveis. Em vez de focarem em dramas fúteis, dedicaram-se a questões políticas (sendo o primeiro episódio uma aula sobre o assunto) e atualidades como isolamento social, algo que me agradou bastante e que todos deviam obedecer.

Se tivesse que definir esta temporada em duas palavras, usaria “crescimento” e “reviravoltas”. As reviravoltas são seu grande recheio e o motivo pelo qual não revelei muitos detalhes deste ciclo. Afinal, ninguém gosta de receber spoilers. Aproveite seu tempo para maratonar o retorno de “The Politician”, veja a primeira temporada (com direito à minha resenha) se não tiver assistido e, por favor, proteja-se e fique em casa.

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