O cinema constantemente explora o tema apocalíptico causado por vírus, parasitas e bactérias, meio que, muito provavelmente, será a causa da derrocada da espécie humana. Muito falei sobre isso no Garimpo NETFLIX: Epidemia (que vale muito você conferir) e não ficarei aqui explorando o tema e o impacto que as doenças causam em nossa sociedade, mas vale ressaltar que caso você não tenha qualquer interesse no assunto The Rain não será do seu agrado.

Com a exceção do excelente filme “A Caça” (com Assista! no site), não sou consumidor do cinema dinamarquês, então as minhas expectativas quanto a série eram muito mais pautadas pelos trailers divulgados. A sensação que eles me passaram foi de uma obra com uma atmosfera parecida com a produção alemã “Dark” (com crítica no site!), apresentando um grande enigma a ser desvendado e uma pilha de corpos se acumulando.

Já no primeiro episódio essa expectativa é atendida e depois violentamente destroçada. Há um mistério e corpos se acumulam no surto do vírus, mas em vez de desenvolver a questão por trás dessa epidemia, a série se prende muito mais na jornada dos protagonistas na busca de seu pai (Lars Simonsen) na Suécia. Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen) e Simone (Alba August) são irmãos que ficam isolados por 6 anos em um búnquer da empresa Apollon, na qual seu pai é um funcionário importante. Logo no início somos informados por Frederik (o pai) que Rasmus é a solução para dar fim ao vírus, sem maiores detalhes. Só nesse episódio inaugural recebemos mais informação do que está acontecendo do que no restante da série, transformando seu ritmo alucinante original em episódios arrastados pelo resto dela.

The Rain tem a mesma proposta de “Eu sou a Lenda“, mas com menos tensão sobre o contágio e adicionando diversos elementos batidos de mundos pós-apocalípticos, como grupos armados genéricos e seitas com comportamentos suspeitos. Os irmãos acabam por fazer parte de um grupo já com 5 pessoas que estavam em busca de comida, liderados pelo militar Martin (Mikkel Boe Følsgaard), seu companheiro de pelotão Patrick (Lukas Løkken) e os 3 outcasts Lea (Jessica Dinnage), Jean (Sonny Lindberg) e Beatrice (Angela Bundalovic). O que todos têm em comum, além da vontade de sobreviver, é que são pessoas que não fazem o que devem em situações de vida ou morte, o que torna pontos cruciais pouco críveis e tira o pouco da atmosfera de urgência da série.

O que mais tira o tesão da obra é o vetor do vírus: a chuva. Desde o filme “Fim dos Tempos” que eu não vejo uma ameaça tão sem impacto, quando as ferozes plantas e árvores eram os algozes do mundo. Em quase nenhum momento a chuva é de fato algo a se preocupar. Aqui na cidade do Rio de Janeiro ela é uma ameaça muito maior, sendo criadouro para mosquito da dengue e causando deslizamentos. Talvez essa série devesse ter sido ambientada no Reino Unido, aí seria uma ameaça e tanto.

The Rain é uma série bem produzida e conta com personagens, mesmo que não cativantes, lentamente desenvolvidos. Mas ao se focar em uma jornada sem sentido e conduzida por decisões muito questionáveis, a obra não empolga e acaba por ser tornar genérica. Ficamos no aguardo da próxima grande ameaça à humanidade.

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