Apesar de ter crescido com uma presença maior da Marvel em minha vida, tenho afeto por certas produções da DC, sendo uma delas a versão original da animação dos “Jovens Titãs”. 15 anos depois, o serviço de streaming da DC lançou uma adaptação mais arrojada do grupo agora disponível mundialmente pela Netflix. Mesmo com as controvérsias geradas antes de sua estreia americana, Titãs provou ser uma série de super-herói bem decente e uma grande surpresa.

Nessa nova versão, circunstâncias diversas levam quatro heróis a se juntarem, apesar de não assumirem suas famosas identidades. Ainda. Dick Grayson (Brenton Thwaites), o primeiro Robin, encontra a jovem e perturbada Rachel Roth (Teagan Croft), a enigmática Kory Anders (Anna Diop) e o inocente Gar Logan (Ryan Potter). Não relevarei os alter-egos dos três últimos, mas acredito que, pelas imagens, dá pra perceber. Juntos, terão de combater forças possivelmente ligadas ao Inferno e que pretendem trazê-lo à Terra. Essa é melhor maneira de descrever a sinopse sem soltar spoilers e estou tentando me segurar, porque tem muuuiiiita coisa dentro da história. Mas te garanto que é muito mais que essa descrição no estilo “narrador do Batman do Adam West”.

Como eu disse: dá pra perceber.

Durante seus 11 episódios, é evidente que a equipe por trás da série decidiu adotar uma pegada mais “sombria e adulta”, ao contrário de outras séries da DC transmitidas pelo canal CW, o que pode significar que não há conexão entre os Titãs e os componentes do Arrowverse. Isso trouxe um novo olhar para esses personagens tão amados e o resultado é bem interessante. Quanto aos aspectos técnicos, os efeitos especiais estão no meio-termo entre tosco e ok, porém, não afetam o desenrolar da história. O roteiro foi o que mais me surpreendeu. Parece que os roteiristas se empenharam em criar um bom desenvolvimento dos personagens, assim como a animação original fez, e entregar uma trama linear. Podiam ter maneirado um pouco nos flashbacks, mas eles acrescentam à trama, então tudo bem. O mesmo vale para a polêmica fala de Grayson em um dos primeiros trailers: “Fuck Batman“, que mostrou-se coerente no final.

Apesar de uma crítica negativa por parte do público, compreendo porque temos um foco maior na relação entre Rachel, aka Ravena, e Dick, futuro Asa Noturna. De certa forma, ambos têm o maior peso nas costas e precisam lidar com seus próprios demônios, literalmente no caso dela. Gar, o fofíssimo Mutano, é um personagem que amo de paixão, mas exerce um papel muito coadjuvante, o que não é um problema, já que tem seus momentos aproveitados. Talvez o explorem mais na segunda temporada. O destaque vai, sem uma sombra de dúvida, para Kory, mais conhecida como, *rufar de tambores*, Estelar. Uma encarnação totalmente diferente e vítima de comentários horrorosos devido à sua aparência. Descobrimos que há um contexto por trás disso e, contrariando os haters, eu adorei. É uma mulher mais durona, sábia e com humor muito peculiar. Rouba cada cena! Além disso, outros personagens amados marcam presença, mas vão ficar como surpresa para quando começarem a assistir.

“It’s not a goodbye. It’s a see you later” – Fulano em algum filme aí.

Não espere a versão que estamos todos acostumados dos Titãs, tanto que o Ciborgue nem aparece (>:( obrigada, Liga da Justiça!). Melhor não ficarem tão apegados ao original enquanto estiverem assistindo. Funciona. Pensem que esta é uma introdução desses heróis à uma nova geração. Jogue os preconceitos no lixo e comece a maratonar.

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