Aqueles que me conhecem sabem que o filme romântico não é meu gênero preferido. Acredito que seja porque vejo que a maioria dos filmes pouco tenta de novo, procurando o básico e se trancando entre as paredes de uma sala. Ainda mais no cinema brasileiro, no qual a produção de massa é limitada a comédias pastelão e sem graça. Em Todas as Canções de Amor vejo a formulazinha do gênero. Ela está lá, segura e intocável. Só que desta vez vai além, com a película explorando outros meios românticos e esse é o ponto da questão.

Chico (Bruno Gagliasso) e Ana (Marina Ruy Barbosa) estão se mudando para um novo apartamento, para começar algo novo. Enquanto Chico sai para trabalhar, Ana fica em casa tentando tirar de sua criatividade uma história para contar ao mundo. Eles descobrem um toca-fitas e uma fita cassete deixados para trás no apartamento, e nesta fita estão várias canções, compiladas por Clarisse (Luiza Mariani) para Daniel (Julio Andrade).

A narrativa do filme possui dois núcleos, a convivência no presente entre Chico e Ana, alternada com o passado de Clarisse e Daniel. Essa alternância, feita no roteiro de Nia Crintz, Vera Egito e Roberto Vitorino, foi executada de forma esplêndida, aliado a um forte jogo de câmera muito bem executado pelas ordens da direção. Por falar em dirigir, o trabalho de Joana Mariani é realmente muito bom, conseguindo contar sua história de forma clara e legítima.

Para um filme de poucos cenários, e põe pouco nisso, a fotografia compensa essa falta de ambientes diferentes. Temos belas visões dentro do próprio apartamento, tornando-o um personagem dentro do filme. No presente, com Chico e Ana, temos um ambiente mais delicado e moderno, com suavidade e uma luz mais clara, já no passado, com Clarisse e Daniel, o meio se torna mais denso, mais pesado e a iluminação enfraquece, deixando um ambiente mais escuro. E a trilha sonora é estupenda, com Maria Gadú e sua bela voz.

Entramos agora em uma área conflituosa. Chico e Ana pouco me encantaram, são genéricos e sem muita identidade. Existe o conflito para estes personagens enfrentarem, porém os mesmos conflitos não são encarnados de forma natural. Discussões às vezes tiradas do nada e problemas em diálogos de vez em quando irreais. Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa fazem o que podem, porém falta verdade em seus conflitos. Enquanto temos este lado mais cliché e pouco encantador, temos a dupla “coadjuvante” na qual, realmente, mora o valor do filme. Clarisse e Daniel são reais, vivem e discutem seus problemas, com os atores encantando: seja pelo jeito um pouco arrogante e dominador de Clarisse, ou o conciliador de Daniel, ambos estão esplêndidos e, ao meu ver, movem o longa.

No roteiro, temos algumas peculiaridades. Alguns diálogos parecem um tanto forçados e situações mal iniciadas. Mas, ainda assim, ele carrega uma narrativa boa, simples e, de certa forma, prazerosa. Enquanto os protagonista vivem no mundo formulado dos filmes do gênero, o outro lado procura apresentar conflitos e interações de personagem mais reais.

Todas as Canções de Amor é um filme que soma as boas formas de direção, arte e fotografia, porém conta com um roteiro na média, que poderia ter sido mais bem acabado. Com atuações ótimas em Julio e Luiza que, praticamente, ofuscam os protagonistas. Conciliar tudo isso e ainda ter resultados positivos é um mérito para Joana Mariani, que merece nossa atenção em próximas produções.

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