Eis que um continente que ocupa 2/3 do Oceano Pacífico surge há 35 anos. Ele é batizado de Magmell e, além de se tornar o palco do mais novo anime distribuído pela NETFLIX, vira também uma das premissas com a maior suspensão da realidade – e olha que estamos falando de uma mídia que tem tudo o que você pode imaginar – da história dos animes. Caso você tenha assistido o 1o episódio e esteja se fazendo mil perguntas (que eu fiz durante todos os 13 episódios) bem básicas, como: De onde veio o continente? Qual o impacto de sua existência no planeta? De onde vieram esses animais exóticos? Qual é a dinâmica geopolítica do mundo para sua ocupação? Caro leitor, sinto “spoilar” sua diversão, mas você não terá respostas. Tudo o que você precisa saber é que esse continente tá lá e pronto, como se fosse uma montanha ou vale remoto recém descoberto.

Em Magmell cerca de 950 mil aventureiros são dados como desaparecidos por ano, com apenas 1/3 sendo encontrado, o que, por si só, já seria talvez a maior crise humanitária da história, com cerca de 21.945.000 de indivíduos nesses 35 anos que nunca retornaram aos seus lares. Contudo, outros 10.972.500 foram resgatados por Pescadores, profissionais altamente treinados que realizam buscas pelo continente mediante pagamento. Dentre a nata de Pescadores, encontramos nosso protagonista, Inyou, que, além de exercer essa função, também é um lachter, que nada mais é a pessoa com a capacidade biológica de conseguir materializar objetos manipulando a matéria. Auxiliado por Zero, talvez a personagem mais interessante da obra, companhamos Inyou em diversas missões de resgate desses aventureiros que buscam fama e riquezas.

O primeiro episódio dá o tom da narrativa, completamente episódico e com um fio condutor muito frágil. Há ali uma tentativa de se construir algo, mas ela é inteiramente montada em flashes curtos e esporádicos, que não sustentam as aventuras que estamos acompanhando. Além disso, pela estrutura episódica, os personagens não se desenvolvem, com raros rostos aparecendo com constância suficiente para que nos importemos com eles. Somente no seu quarto final que há uma tentativa de amarrar todas as pontas soltas, mas sem muito sucesso, sendo o desfecho um tanto corrido e não palatável.

Outro ponto curioso foi a leitura que o anime faz do continente. A impressão que passa é a de exploradores de uma África ou Ásia exóticas do século XIX, desconsiderando os nativos, pegando animais raros e extraindo riquezas naturais sem a menor preocupação. Essencialmente vemos uma missão civilizatória. Também é estranho não haver comunidades grandes de pessoas vivendo lá, já que há um aporte gigantesco todo ano (se quase 1 milhão desaparece, de quantos milhões sabemos o paradeiro?) de migrantes. Os temas dos episódios variam muito, mas sempre possuem alguma crítica por trás. Vamos desde a ganância corporativa estilo “Avatar”, com empresas passando sufoco por conta da fauna e os seres cientes locais, até programas moralmente questionáveis como os do Richard Rasmussen, mas sem um “corre negão”. Até pautas mais atuais como o vegetarianismo/veganismo dão as suas caras. Contudo, essas temáticas ficam numa superficialidade, atingindo pontos na discussão que beiram o infantil.

No que tange ao técnico, temos uma animação que vai perdendo qualidade significativa nos momentos de ação conforme o anime progride. O 1o episódio até te dá a falsa sensação que a animação será o carro-chefe aqui, apresentando uma luta muito bem animada, mas não se empolgue. Caso você seja aquele otaku raiz dos anos 90 e queira assistir dublado, saiba que você receberá uma dublagem ok, que não é espetacular, mas também não deixa a desejar. No somatório, Ultramarine Magmell não é aquele anime que deve assumir prioridade na sua lista, mas… vai que você curte? Confere lá.

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