Sabe aquele argumento manjado e batido à exaustão no Cinema de algum animal, geralmente um cachorro, conseguir falar ou, pelo menos, a gente conseguir entender seus pensamentos? Então, agora que você fez aquela expressão irônica reconhecendo que esses filmes no geral são uma merda inacreditável, mas que são muito vistos no Brasil porque amamos cachorros, posso ficar tranquilo nessa minha crítica debochada desse longa que você já sabe ser intragável.

Vamos aqui, antes de detonar o filme, apresentar alguns pontos positivos, que, por incrível que pareça, estão lá. O primeiro é a mensagem geral exemplificada no slogan do nosso cachorro estrela da obra: “simple life, happy life” (vida simples, vida feliz). Considerando esse mundo informacional que nos engole de tal forma, com trocentas mídias digitais monopolizando nossas vidas, pandemia, política, ações brutais contra minorias e N coisas que nos roubam tempo e nos deixam infelizes, vejo a importância desse discurso e o quanto ele me levou longe. Vai dizer que você não era mais feliz quando tinha menos demandas, responsabilidades e suas opções de entretenimento eram mais restritas? Ah, esse mundo da ansiedade…

Um outro ponto interessante, mas que acabou por decepcionar, foi a presença de Megan Fox, que nunca foi muito conhecida pelas suas atuações. Contudo, houve um tempo quando a presença dela era motivo para atrair público. E quem diria, hein? Megan Fox é mãe e dá um novo sentido ao termo MILF, mas longe de ser o atrativo que era no início dos anos 2000, com uma atuação bem discreta. Além dela, Uma Mente Canina é dirigido por Gil Junger, conhecido por dirigir uma das melhores comédias românticas dos anos 90, “10 Coisas que Eu Odeio em Você”, e que pelo visto continuará sendo conhecido apenas por isso, já que assina aqui uma direção fraca e um roteiro que causa vergonha alheia.

Já que abrimos a caixa das coisas vergonhosas, fica nítido ao que a obra veio em seus primeiros 15 minutos. É piada bosta atrás de piada bosta, cgi vergonhoso, atuações grotescas, é dia na China e nos EUA simultaneamente, o babacão da escola é um nerd ruivo com sardas e tem mais galhofadas e inconsistências no roteiro do que uma esquete de Zorra Total. Além disso, temos um mar de estereótipos da cartilha do Weintraub, com um indiano dono de grande empresa de tecnologia da informação, um chinês hacker e uma típica família americana branca, de classe média com um update pro século XX: eles estão se divorciando e só têm um filho.

No mais, embarcamos numa viagem sem qualquer sentido sobre uma família passando por maus momentos, um satélite sendo hackeado e um cachorro que passa a ser escutado pelo seu tutor, vulgo, dono. Tudo isso emendando com a cola mais vagabunda que se possa imaginar. Fica nítido o direcionamento da obra para o público infantil, mas ainda assim subestimando o bom senso de uma geração que já sabe usar um celular antes de aprender a ler.

Ou seja, temos 90 minutos de uma tortura audiovisual sem muitos atrativos, inclusive, até o cachorro é inacreditavelmente chato. Quer um conselho? Reveja “Marley e Eu”.

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