Sabe quando você tá perdida(o) pelo catálogo da Netflix, aparece alguma “recomendação” e você imediatamente pensa na porcaria que isso pode ser? Essa foi minha primeira impressão quando encontrei Unbreakable Kimmy Schmidt tempos atrás. Pois é. Após uma redescoberta da série, fiquei completamente apaixonada, vi as duas primeiras temporadas em três dias e me despeço, com sua quarta e última, da minha falsa prima e o pessoal doido que participou dessa comédia maluca.

Pra quem ainda não assistiu, a série conta a história de Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma jovem de quase 30 anos que é resgatada de um culto ao apocalipse (sim, você realmente leu isso) depois de anos presa num bunker por um lunático “religioso”. Agora, ela se encontra numa América mudada e decide se aventurar em Nova Iorque sozinha. Mesmo com a maturidade de uma garota de 14 anos, Kimmy consegue se acostumar a certos aspectos do século XXI e sobrevive na metrópole. Desde os dramas de seu colega de quarto, Titus (Tituss Burgess), às loucuras de Lillian (Carol Kane), sua vizinha, e sua patroa/amiga Jacqueline (Jane Krakowski), a nova vida de Kimmy é recheada disso e muito mais.

Aquela sensação boa de realização.

Nessa temporada, mais questões sociais importantíssimas são abordadas, como a repercussão do movimento Time’s Up, feminismo, abuso sexual, tudo de maneira inteligente e bem escrita. Me faz esquecer a subtrama sustentada por whitewashing, apesar de ser perdoável, até certo ponto, graças ao humor do programa. Com certeza um dos pontos altos. Além da pequena participação do excelente Jon Hamm, de várias estrelas da Broadway e números musicais hilários, outro ponto alto foi como o time de roteiristas manejou o crescimento dos protagonistas. É muito difícil mostrar uma evolução que não mate a essência de seus personagens, mas conseguiram mantê-la por 51 episódios, especialmente as de Kimmy e Jacqueline: enquanto ambas ficam mais fortes, uma continua com a inocência de uma criança e a outra deixa de ser tão materialista. Adorei ver isso.

“Vai me deixar no vácuo?!”

Tina Fey é uma das minhas inspirações e fez, ao lado de Robert Carlock, uma das comédias mais subestimadas da atualidade e minha favorita da humorista. Leve, engraçada, roteiro bom, elenco perfeito. Se você não aguenta esperar um ano para a nova temporada de sua série estrear, pega essa que já terminou, maratone logo e divirta-se!

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