Normalmente o gênero “Terror” é posto para todo filme que se propõe causar um suspense maior e provocar susto ou medo ao seu espectador. Existe, porém, na minha opinião, um subgênero deste que é o “Terror Adolescente”. São aqueles filmes que envolvem necessariamente personagens mais jovens e nos quais a estrutura narrativa é exatamente IGUAL. Vamos a uma breve comparação: “Pânico“, um bando de jovens em festas e algo começa a persegui-los; “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado“, um bando de jovens que faz uma cagada e algo começa a persegui-los. Verdade ou Desafio, um bando de jovens viaja pro México, participa de um jogo e bebedeira e algo começa a persegui-los.

Olivia (pela PLL Lucy Hale) está prestes a fazer uma atividade pessoal, quando é colocada contra a parede por seus amigos, em especial a sua BFF Markie (Violett Beane), para que viajem para o México e se divirtam horrores “antes que a vida as separe” (belo jogo de palavras, hein, amigo!). Olivia, então, é obrigada a aceitar e a viagem dos jovens começa. E como todo grupo, eles têm questões internas de ciúme, de inveja e de conflitos pessoais não resolvidos. Porém, na noite da saideira tudo isso vem à tona quando um desconhecido boa-pinta (ou “pinto”) os convida a continuar bebendo em um lugar próximo dali. Olivia, dessa vez, obriga os amigos a aceitarem.

A super “rese” do baca que não rolou.

Para esquentar a “rese” na base do improviso, em uma espécie de casarão abandonado nas proximidades, o garanhão supracitado propõe um jogo de “verdade ou desafio” (também muito conhecido por “verdade ou consequência”). Após gritos de “coisa de criança imbecil” ou algo que o valha, ele insiste “se jogado certo, fica bem interessante”. Então, aquelas almas sebosas que querem ver o circo pegar fogo e os outros com hormônios aflorados aceitam, tentando causar intrigas ao grupo ou criar situações para uma orgia homérica e inesquecível. A segunda parte não acontece, mas a primeira, sim. E, junto com isso, os amigos ficam amaldiçoados por uma espécie de entidade que, do nada, surge e pergunta “verdade ou desafio?”. Seguindo a lógica de um turno para cada um, ou eles falam uma verdade escabrosa ou realizam um desafio nefasto.

Tal qual os filme anteriores, vemos a mesma fórmula sendo colocada em prática. Na mesma hora falei para a minha mulher, no cinema: “o primeiro a ser sacrificado vai ser esse personagem idiotão”. Dito e feito. Anteriormente, em outros títulos, eram os gordinhos ou os negros (ainda bem que esse crime parece ter parado). Mas como nesse não havia gordinhos ou negros entre os protagonistas, o lerdão-virjão-bronheiro foi a bola da vez. Aos poucos, eles vão percebendo que em algum momento serão levados ao mesmo caminho que o colega sacrificado pela entidade estranha. O resto do filme é saber como se livrar dela, enquanto as relações deles vão sendo fragilizadas pelas verdades faladas ou pelos desafios propostos. Apesar disso, o momento difícil os une, em contrapartida.

Lá vem a Baleia Azul do mochila de criança.

Com um desenvolvimento de personagem pífio, com zero de susto ou medo, Verdade ou Desafio é mais um daqueles fillers (a cota para compor o gênero quase semanal no cinema) e nada inspirador. É o típico filme de “Terror Adolescente” que não agrega em nada, que é óbvio em todas as cenas e que, além de tudo, parece misturar “Nerve: Um Jogo Sem Regras” com “Corrente do Mal“, sendo uma espécie de Baleia Azul com um quê de sobrenatural. Vai se tornar um daqueles filmes que a galera se reúne numa “rese” na casa de alguém, para justificar um “verdade ou desafio” posterior ao filme, tentando esquentar a pegação entre amigos.

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