Vamos começar essa conversa deixando logo claro que Watchmen é o mais perfeito romance gráfico já feito pela humanidade. Caso você discorde dessa assertiva, muito provavelmente você nunca o leu, tendo visto apenas o bom longa de Zack Snyder de 2009 (presente em nosso Top 10 Filmes de Heróis), ou, talvez, não tenha dado o devido valor a essa obra em todos os seus detalhes. Dito isso, caso você não tenha lido o material fonte, Watchmen não será de fácil digestão. Seguimos aqui em um universo criado por Alan Moore nos anos 80, adaptado por Damian Lindelof para o ano de 2019. É uma sequência direta do evento que junta a URSS e o EUA contra um inimigo em comum – e se você só viu o filme, não, não é o Dr. Manhatan – em um futuro dis/utópico (ainda em aberto).

O enredo faz-se em cima da questão racial nos EUA, onde um grupo dormente conhecido como 7a Kavalaria começa a ir atrás de policiais, que nesse futuro alternativo possuem sua identidade preservada como um vigilante, com o uso de codinomes e máscaras. Em uma época cujo conservadorismo de Nixon e Robert Redford (Regan dessa realidade) é latente, ao que parece, após um evento conhecido como The White Night (A Noite Branca), um ataque a um policial começa um confronto entre os defensores mascarados da lei e nossos antagonistas mascarados da Kavalaria.

Vale destacar aqui a brilhante atuação de Tim Blake Nelson, interpretando Looking Glass, um dos oficiais da polícia, que, na ausência de tempo de tela da Kavalaria, arrastou nas costas as melhores cenas do episódio. Não há uma tomada com ele que não tenha peso e que a sua máscara cromada não tenha causado desconforto. Igualmente bom é o encaixe de uma trilha sonora moderna que dialoga com as cenas de ação, que, arrisco dizer, foram as que mais deixaram a desejar. Retomando o nome de Damian Lindelof, inúmeras referências importantes – e outras apenas para fan service, literalmente, jorrando do céu – criam um universo rico, com membros do Minutemen e Watchmen aparecendo a torto e a direito, e que levanta diversas perguntas.

Como o senso de justiça de Rorschach, preto no branco, sem concessões, e seu perfil conservador foram apropriados pela Kavalaria? Voltando mais ainda, seu diário na redação do jornal foi lido e publicado? Se sim, o que ocorreu com a Guerra Fria? A presença de Red na polícia, personagem com um ar russo, dá a entender que as duas potências coexistem. Elas coexistindo, o que o mundo se tornou? E Dr. Manhatan, algum contato pós ida à Marte? E Veidt, tramando o que dessa vez? Muitas perguntas e apenas mais 8 episódios para obtermos respostas.

Como episódio introdutório, It’s Summer and We’re Running Out of Ice dita o tom de uma série que pode ser mais humana do que sobre (super)heróis, com cenas fortes e perturbadoras, introduzindo personagens de peso em um universo que carrega os eventos que já testemunhamos boquiabertos ocorridos 40 anos atrás. Faz-se obrigatório dizer que Wathcmen promete ser tão atual quando necessária.

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