Edgar Wright construiu sua reputação a partir de comédias ousadas, com estética e personalidade próprias, assimilando diversos elementos da cultura popular pós-moderna. A força do diretor britânico está em conseguir representar toda uma geração em seus diálogos, personagens e cenas.

Nesse sentido Em Ritmo de Fuga cumpre a regra, remetendo aos filmes de assalto e as películas estreladas por Steve McQueen, tudo com uma fotografia pungente, cores pulsantes e transições artísticas. A música, assim como em “Scott Pilgrim” é parte integral da obra, dessa vez ainda mais viva, acompanhando e permeando as sequencias de ação. No ipod do protagonista temos a melhor parte de toda a obra.

Além disso temos Jon Hamm num papel que merece esse homem de outro planeta, Jamie Foxx como o gangster que arranca risadas a todo instante e Kevin Spacey num Nick Fury sem escrúpulos. A narrativa do traumatizado motorista de assalto adolescente tinha tudo para ser um memorável filme e, quando Hocus Pocus ou Queen estão ali, até que é.  Todavia a fórmula Wright começa a mostrar sinais de envelhecimento. Ainda é incrível ver uma estética tirada de videogames, álbuns de música, personagens badass pipocando na tela, assim como ainda são bonitos aqueles momentos que só Wright e sua mente repleta de anos oitenta são capazes de fazer. Mas a cada filme fica mais evidente a falta de força nos principais e no enredo, que vai se esgotando e se perdendo em si mesmo aos poucos.

Ansel Boring Elgort.

Em nenhum momento Baby, interpretado pelo fraco Ansel Elgort, protagonista do filme, é mais do que um tipo esquisito e excêntrico capaz de dirigir como ninguém ao som de Tequila. Nem mesmo sua relação com uma garçonete de diner o humaniza, porque não é verossímil. Wright foca cada vez mais nos grandes momentos e nas sequências wow, todavia esquece o que realmente faz um bom filme: os pequenos momentos, os pequenos detalhes.

Jon Fucking Hamm.

Baby Driver ainda se salva com seus coadjuvantes inacreditáveis, até certo ponto surreais, e suas cenas de ação sincronizadas com música, levando o espectador ao extremo do orgasmo tão raro nos atuais filmes de assalto ou ação. Num cenário onde Velozes e Furiosos é o principal expoente das massas, a mente e roteiro do britânico são refresco. Entretanto, é cada vez mais nítido que, quando Edgar não está arrancando suspiros e gritos de nossos rostos, nossas pálpebras estão fechadas e a lata dos clichês está aberta.  Espero que o foco das próximas obras do promissor e ousado diretor seja equilíbrio, porque invertendo a célebre frase de Salvador Dalí: pretensão sem inteligência, é um pássaro sem asas.  Não dá para viver a vida inteira de juvenis mixtapes, com ilusões cinematográficas.

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