– Janine (Madeline Brewer) – O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale)

The Handmaid’s Tale traz uma excelente representação dos lugares do feminino durante toda a narrativa por meio da história distópica que conta, reforçando a forte crença de que o que faz uma distopia brilhante são os (absurdos) traços de realidade. Mostra a mulher revolucionária, a mulher condescendente e, quase que a todo tempo, exibe o lugar comum de ser mulher: a repressão. Seja entre as Esposas que indiscutivelmente são as do “topo da cadeia” no núcleo social de Gilead por sua classe – mas que, vale lembrar, só existem por ter um homem poderoso ao seu lado e são troféus -, seja entre as Marthas, que nada mais são que a representação da mulher não-branca como empregada doméstica ou seja pelas Aias, que existem para procriar e nada mais. Dentro dessa última categoria, temos Janine (Madeleine Brewer), que, além de representar um estereótipo claro de “mulher existe pra ter filho e acabou”, representa outro: o de mulher louca. Taxada de louca pela maior parte de suas semelhantes por ser um “pet” dentro do sistema e uma “verdadeira crente” daquele circo de horrores. Taxada como louca pelos canalhas do sistema por ainda ter dentro de si a velha e boa Janine, e não só a persona inventada Ofwarren. Mas Janine é na verdade uma das personagens mais incríveis da série, que mostra estar viva ali dentro e por vezes inteiramente sã, infelizmente, quanto às atrocidades que lhe cercam e afetam. E que seus momentos de insanidade são, na verdade, uma hedonística forma de entrega à liberdade: os loucos não precisam ter compromisso algum com a sociedade que lhes escarra.


– Van (Zazie Beetz) – Atlanta

Donald Glover sabe bem como englobar assuntos importantíssimos e promover críticas sociais com uma pitada de humor satírico no estilo Irmãos Coen. O resultado dessa mistura é a brilhante comédia Atlanta. Dentre seus personagens marcantes, temos a namorada de Earn, Van (Zazie Beetz). Infelizmente, seu tempo de tela é limitado e é evidente que, na maior parte das vezes, não recebe o mesmo destaque que o trio protagonista, apesar de ser uma personagem encantadora. Van, na visão generosa de Donald Glover, teve episódios dedicados inteiramente a si tanto na primeira quanto na segunda temporada. E, em cada momento em que ela aparece, podemos ver sua fascinante personalidade e como é bem construída.

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