– Megara (voz de Susan Egan) – Hércules (Hercules)

Sinto muito por decepcionar os fãs de “Lérigou” (Frozen) e “Aiêmoanaaaaa” (Moana), mas a princesa que, de fato, inseriu o feminismo no universo Disney foi Megara, leading lady e heroína da animação Hércules. Pra quem esqueceu, ela é a jovem que vende sua alma para Hades (isso mesmo!) com o objetivo de salvar um namorado. O plano dá certo? Não. Depois dessa furada, Meg perde a confiança em homens e rejeita o herói titular, mas se apaixona, como esperado. Além disso, tenta mentir para si mesma sobre a paixão através de um hino da música e ainda comenta que não vale a pena sofrer por homens e que já passou por isso. Quem nunca? É uma situação comum. Assim como Frances, Megara traz uma proximidade com a qual todas podemos nos identificar, o que é tocante. Talvez a plateia de 22 anos atrás não tenha percebido a genialidade por trás de Meg. Assistam mais uma vez, prestem atenção e reflitam.


– Cindy Pereira (Michelle Williams) – Namorados para Sempre (Blue Valentine)

Namorados para Sempre é um dos filmes mais depressivos sobre relacionamentos que já vi na minha vida – ironicamente, já que o título pode sugerir algo fofo e não há nada, nada de fofo no filme inteiro, acredite. A relação entre Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling) é doente, podre e de maneira profundamente triste chegamos à essa conclusão. Não é razoável imputar a culpa em algum dos dois já que ambos tomaram a péssima decisão de estarem juntos (por mais cruel que isso soe), apesar de cheirar a cilada por se conhecerem há pouco tempo e de maneira extremamente superficial ainda. No entanto, o que me leva a pensar que Cindy é subestimada não é por exatamente suas ações dentro do relacionamento (já que os dois fazem merda), mas pelo fato de que seu grande e irremediável erro foi o de ter um bebê e isso por si só já leva o telespectador e os ao seu redor na trama a subestimarem, uma vez que a decisão de tê-lo estaciona sua vida numa área cinza. Ela mesma se subestima, também, por falta de amor numa relação que perde o brilho rapidamente, mas se mantem por necessidade; por não alcançar sonhos nutridos desde tão cedo; por ser incapaz de sair do redemoinho que sua vida se tornou. Cindy é uma personagem que carrega muito pesar e que deveria ser olhada com mais cuidado, já que retrata o destino de tantas vidas e mostra uma fragilidade resultado de um assunto que ainda é muito tabu na sociedade: preterir a escolha de uma vida que pode mudar o rumo da sua para sempre.

Sugestões para você: