O Segundo filme – “O Império Contra-Ataca” – foi uma produção mais ambiciosa. Lucas, que não era bobo, garantiu o direito sobre todo o merchandising do filme (sabe aqueles bonequinhos super-cool, a camiseta, o poster, o livro de making-of? Ninguém fazia isso antes dele…) e ganhou uma fortuna. Contrariando a regra de que você jamais deveria investir o seu próprio dinheiro em um filme, Lucas não apenas produziu a continuação de sua saga mas realizou o primeiro filme independente bem sucedido da história (ao mesmo tempo que realizou o filme mais bem sucedido da história! Coincidência?). Utilizou-se de cada um dos truques existentes sob o sol, estudou cada técnica inventada por Ray Harryhausen e desenvolveu algumas próprias, melhorou a cara dos sabres de luz e lançou o meu filme preferido de todos os tempos. E eu o amo com cada uma de suas falhas. Yoda é Caco-o-Sapo orelhudo, Lando Calrissian é James Brown espacial, Luke passa um fim de semana em Dagoba e se torna um Jedi… Mas o filme deu à vida pérolas da literature mundial como “ Why, you slimy, double-crossing, no-good swindler”, ou “Why you stuck-up, half witted, scruffy-looking nerf herder!”. “Do or do not, there’s no try” é de uma profundidade filosófica tamanha que merecia a análise de Gilles Deleuze, e Harrison Ford responder um “Eu te amo” com “Eu sei” o transformou no cafajeste mais desejado deste lado da galáxia desde que seu pai, Sean Connery, aposentou sua Walter PPK.

O filme tem tudo; batalhas épicas na neve contra tartarugas-robô gigantes, cidades voadoras, vermes intergaláticos que habitam asteroides, Boba Fett, Han Solo em carbonita. Ainda que o filme fosse ruim, a composição da Marcha Imperial seria motivo bastante pra que O Império Contra-Ataca merecesse o respeito incondicional de qualquer pessoa que já tenha visto sua mãe acelerando pelo corredor em sua direção.

Ao terceiro filme – “O Retorno de Jedi” – se você, seu merda desalmado e sem coração, ainda não se rendeu à bênção da Divina Trindade (Skywalker Father, Skywalker Son, and May The Force Be With You, Always) quando Luke gritou “NOOOOOO!!!!”, então O Retorno de Jedi (ou do Jedi, ou dos Jedi…) tem pra todo e qualquer gosto: Corrida de Fórmula 1 dentro de uma floresta fechada… With Lasers!, Jabba the Hutt transformando a risada do Papai Noel no pesadelo de milhões de criancinhas, Leia de bikini, Arremeso de Imperador, mega-batalha espacial, Han solo descongelando nos braços de sua amada, ursinhos-de-pelúcia-guerreiros…

Nunca um balaio de gato foi tão bem executado e amarrado quanto o ultimo episódio da trilogia original de George Lucas. No momento em que Luke vê os espiritos de Anakin, Obi-Wan e Yoda, tudo o que se passava pela minha cabeça era “acabou?… NÃO!”. Seria aquela a última vez que eu veria um cargueiro Corelliano YT-1300F saltar à velocidade da luz? Não, mas eu teria que aguardar algumas décadas até poder retornar ao meu canto preferido da galáxia. Nesse ínterim, eu colecionei, guardei, comprei, copiei, desenhei, assisti cada pedacinho daqueles filmes que eu pude por as mãos. De bonecos de chumbo copiados dos originais e vendidos na Hobbylândia do Edificio Avenida Central (os únicos bonecos de Guerra nas Estrelas disponíveis por vias legais no Rio de Janeiro), passando por álbuns de figurinhas, livrinhos para pintar, recortes de jornal… cada canto dos meus cadernos de escola tinham lutas de sabres de luz ou X-Wings destruindo Tie-Fighters. Pesando as sábias palavras do Almirante Ackbar, it was a trap.

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