Meus amigos importavam os livros com as histórias do universo expandido e me contavam sobre Mara Jade, sobre o Grande Almirante Thrawn e nada disso me interessava. Eu queria saber apenas do que se passava na cabeça de Lucas. Apenas os filmes seriam o bastante.

E no fim do século XX minhas preces foram atendidas. “The Phantom Menace” chegou aos cinemas trazendo o vilão com a cara mais fodaralhaça desde o próprio Vader, sabre de luz duplo, conselho Jedi, Natalie Portman de mãe-do-Luke e Mark Renton como Obi-Wan Kenobi Padawan. Eu já tinha amado o filme antes de as luzes se apagarem. É, eu sei, tem Jar Jar Binks e Pod Racing, mas apesar de todas as críticas, a única coisa que de fato me incomodou no filme foram os Midi-chlorians. A Força é um campo de energia criado por todos os seres vivos. Ela nos cerca e nos penetra, e mantem a galáxia unida. Assim disse Mestre Yoda e o que Yoda diz é lei. Transformar a Força em bactéria foi ficção científica demais. Guerra nas Estrelas não é Sci-Fi, é Fantasia Espacial. A Força é mágica. E fim. Não precisa de mais explicação que isso.

Todas as outras críticas são dor de cotovelo de nerd velho que esperava ver Game Of Thornes numa galáxia muito distante. Guerra nas Estrelas não é um filme pra adultos. Nunca foi. Lucas sabe pra quem ele tá contando sua história e é praquele menininho de olhos grandes torcendo por Anakin na corrida como quem torce pelo Ayrton Senna. E aquele menininho ia te dar muito cascudo no recreio se você falasse mal do Jar Jar Binks! O filme não era pros camaradas da minha idade. E foi por isso que eu gostei tanto, Midi-chorians à parte.

De todas as reclamações, ninguém se incomodou de Darth Maul ser o vilão mais do caralho da virada do século e o Lucas ter simplesmente decidido matá-lo sem mais nem porquê no fim de apenas um filme? É, a cena do Pod Race foi pra vender videogame, Jar Jar Binks é uma versão anfíbia do Pateta, o Droid Army é cópia das vassouras da cena do Mikey aprendiz de feiticeiro de Fantasia e Anakin com 9 anos vai se apaixonar pela rainha que mais faria sentido ficar com Obi-Wan. Então ele curte MILF… quem nunca? Para de piranhar e vá ouvir “The Duel of the Fates” agora e volte pra me dizer que aquilo não é foda!

O problema que eu não tive com A Ameaça Fantasma já me apareceu no quinto filme – Ataque dos Clones (sim, quinto e não segundo) e reflete exatamente meu incômodo com todos os outros filmes de efeitos-especiais que se seguiram; ficou fácil e barato usar computação gráfica, e Lucas, que adora videogames resolveu filmar tudo em tela verde. O resultado é uma história maneira que poderia ter virado um filme foda se ele não tivesse dinheiro infinito, ou se o produtor tivesse dito a ele: “você precisa de 100 milhões de dólares pra efeitos especiais? Eu te dou 30 e vai fazer um filme de homem!”.

Não há nada de errado com Ataque dos Clones com a exceção de que ele foi um teste pra que se cometessem “Avatar” pouco tempo depois. Dito isso, o filme é a melhor animação de videogame já produzida. E se você gosta de animação ao estilo Final Fantasy, então está com sorte. Eu gosto, mas prefiro filmes. Com pessoas. E cenários em lugares reais, ou cenários reais em lugares imaginários. E modelos Revel explodindo com “cabeção-de-nego”.

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