O sexto e ultimo filme com Lucas no volante foi A Vingança dos Sith e trouxe todos os pecados dos filmes anteriores. Efeitos especiais demais, direção de menos e Darth Vader gritando “NOOOO!”no fim do filme. Todo mundo que podia se incomodar, se incomodou. Menos eu. Eu entendi o que George queria. Em todo filme alguém fala que “I have a bad feeling about this”, em todo filme C3PO reclama da vida, e no ultimo filme Lucas quis criar uma ponte entre o “NOOO!” de Luke ao descobrir-se filho de seu inimigo e o”NOOO!” de Anakin, ao descobrir-se algoz de sua própria familia. Até na minha cabeça esse seria o plano perfeito. Só não funcionou. A cena foi realizada de maneira rasa, com um diálogo forçado e com excesso de efeitos especiais, (apesar de eu ter ficado sem ar quando a máscara desce sobre o rosto incinerado do futuro Vader) e apresentada a um público com quase 30 anos de expectativas e fantasias pessoais sobre como o vilão mais famoso do mundo deveria vir a ser. Sabíamos que Obi-Wan, o Jedi Retalhador, lhe cortaria as pernas e braços, e sabíamos que ele seria queimado… mas o momento final, a grande revelação daquela máscara era o ponto alto de toda uma vida de fé, dedicação e amor. “NOOO!” era pouco. Na mesma proporção em que “Eu sei” é o bastante.

E eu senti o que George Lucas deve ter sentido após ouvir todas as críticas, todas as piadas, todo o bullying digital que, a essa altura, já existia. Eu fiquei triste, porque eu queria que ele tivesse ficado feliz. Eu entendo o que ele tentou fazer. No fim, ele tentou colocar tudo num filme só. Tudo o que ele criou. Todos os seus filhos numa mesma foto pra posteridade. Seu legado é maior do que apenas um filme.

Ele criou tudo o que existe no cinema hoje. Se existe efeito especial digital é por culpa dele. Animação digital? Também. Pixar? Idem. Câmera digital para cinema só caiu em uso frequente quando ele decidiu capturar tudo em vídeo a partir do inicio dos anos 2000. Você tem um Home Theater em casa? Som 5.1 foi criação dele. É pouco? Qualquer produto inspirado ou baseado num filme, foi um conceito dele. Todos os efeitos especiais desde 1986, foi ele que fez, de Jurassic Park a Forest Gump, de De Volta para o Futuro a Homem de Ferro. Ele encarou os grandes estúdios de Hollywood, inventou o termo “Indie” (Jones ou Hipster, tanto faz, ele inventou os dois) e criou o maior império cinematográfico desde a era de ouro do cinema Americano.

Mas mais do que isso, ele me convidou pra brincar com os brinquedos dele, pra ouvir as histórias dele, pra visitar os sonhos dele. E os sonhos dele inspiraram os meus. Hoje eu conto minhas próprias histórias e minha razão pra fazê-lo é para, simplesmente, fazer sorrir novamente aquele menininho sentado naquela sala de cinema há uma vida atrás. Eu aprendi música porque “Piloto de Nave Espacial” não era um emprego real e eu não achava que era possível fazer filmes profissionalmente, então, na minha cabeça, a única coisa que eu poderia fazer que chegava perto daquela história era reger uma orquestra e estar dentro daquele Si Bemol Maior.

Hoje aquele mundo não pertence mais a ele. Pertence ao mundo. E ao Mickey. E Mickey tenta fazer jus à toda essa obra. E Mickey tem feito um bom trabalho, na minha opinião. O Despertar da Força foi um belo filme, a morte de Han Solo, meu personagem preferido, foi digna e me fez chorar, e aqueles que reclamaram do raio da “Estrela da Morte 3.0” atravessando a galáxia em tempo real precisam ser lembrados que o nome da série é Star Wars, não Star Trek e ela não está, portanto, engessada às leis da fisica. “Fantasia Especial” e não Ficção Cientifica, lembra?

Adorei Rogue One. Meu segundo filme preferido de toda a série, perdendo apenas pra O Império Contra Ataca. Quanto ao próximo, eu tenho apenas uma pergunta: Chewbacca tá confirmado? Então eu também tô. E enquanto eu tiver forças pra me arrastar até a uma sala de cinema, mesmo doente, mesmo enrolado em um cobertor, mesmo morrendo, enquanto alguém quiser contar uma história numa galáxia muito, muito distante, eu estarei pronto a ouvi-la. E enquanto tiver nave, robô, raio-leizu e magia espacial, eu estarei disposto a amá-la. Porque quem assistem àqueles filmes não sou eu, no alto dos meus 40 anos, cheio de sarcasmo e referências pessoais. É aquele mesmo menininho que sequer sabia ler as legendas e ainda assim conseguiu sentir-se saltando na velocidade da luz à bordo da Millenium Falcon, “the fastest hunk of junk in the galaxy…”

May the force be with you… Always.

Por Vlamir Marques

Sugestões para você: