Há uns meses eu conversava com um amigo meu, dessas conversas longas. Falávamos sobre uma perda familiar dele. Ele me contava que o companheiro da mãe dele, pessoa que há tantos anos a apoiava e tudo mais, havia partido. Enquanto conversávamos e eu oferecia meu apoio percebi um receio na fala dele. Depois de certo tempo ele me confidenciou que “mentiu”. Na verdade, quem havia falecido era o companheiro do pai dele. O pai dele é gay e, por algum motivo, apesar de sermos amigos, ele teve medo de me falar isso, mesmo sabendo que para mim isso não é uma questão. Apesar de, para ele mesmo, isso não ser problema algum. Apesar de sermos próximos. É estranho, não?

Não, o estranho  não é que um homem tenha “mudado de ideia” (e muitas aspas aí!) depois de tempos vivendo com uma mulher. O que acho estranho nessa situação é o homem não ter feito isso antes. O estranho é alguém se enclausurar por que não há espaço para ser o que é. É também estranho que, ainda hoje, paire uma neblina tabutizante sobre o que, por fim, nada mais é que uma forma de amor. Na minha concepção, sendo este um amor saudável, daqueles que enlaçam, somem e façam arte, eu quero mais é que seja plural. Não canalizo esse discurso para relacionamentos apenas. Acredito na necessidade de um amor por si e, num meio em que sua orientação sexual é ainda julgada, fica fácil ainda existir questionamento sobre sua própria validade e relevância. Sobre seu direito de… ser. E de se amar dessa forma aí mesmo, ora pois!

Não é para ser desconfortável ou estranho ser parte da comunidade LGBT e, por mais que isso soe óbvio, é ainda atual e necessário de ser lembrado. O desconforto se manifesta em situações pequenas como uma conversa entre amigos, uma confraternização familiar e demais banalidades. Eis que o dia 28 de junho, o Dia Internacional do Orgulho LGBT, nos mostra que sentir orgulho de assumir o que é evidencia o incômodo ainda existente – orgulho, neste caso, é resistir. E, ainda que eu mesma encare, neste exato momento digitando para vocês, uma considerável dificuldade em me incluir na coisa toda, aqui vai. Vai por que sei que meu amigo não devia ter tido a momentânea vergonha de dizer que o pai é gay – e nem eu devo ter em compartilhar que pertenço à comunidade LGBT. Iau!

Por essas e outras venho aqui mostrar, em minha opinião e no melhor do meu conhecimento, o melhor que o Cinema tem a oferecer ao retratar a temática atualmente em ascensão na 7ª arte, conquistando seu espaço nas premiações do Oscar e demais festivais com cada vez mais frequência. Afinal, a arte é também uma forma de resistência – e que linda forma, não? Confiram a seguir uma lista, sem qualquer ranqueamento, de filmes fantásticos desse gênero, alguns dos quais estão disponíveis na Netflix, que, inclusive, tem um catálogo relativamente extenso de filmes com essa temática.

Qual vocês acham que faltou? Comentem, curtam, palpitem, critiquem, sugiram, elogiem, assistam, tentem adivinhar qual letrinha de LGBT me representa e tal e coisa e coisa e tal. 1,2,3 and… go, go Power Rangers!

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