Com o mês de Setembro recém-terminado, vamos relembrar algo bastante sério e importante: o Setembro Amarelo. Pra quem não sabe muito bem, a campanha foi criada há três anos para expor a importância de debates sobre suicídio e eventos/espaços para promover sua discussão. Uma bela maneira de promovê-la é pelas telas. Mas se você achava que uma postagem abordando tal assunto seria dedicada ao “fenômeno decadente” conhecido como “13 Reasons Why“, sua felicidade acaba aqui. O homenageado é um filme coming-of-age dos bons (e poucos “muito bons”), do qual John Hughes se orgulharia: As Vantagens de ser Invisível.

Baseado no livro homônimo de Stephen Chbosky (que também dirigiu e roteirizou o filme), conhecemos Charlie (Logan Lerman, numa performance surpreendente) e sua jornada pelo primeiro ano do ensino médio, o que, para nós brasileiros, seria o nono ano. Se já é difícil se enturmar em uma nova escola, imagina a situação quando você tem ansiedade, depressão clínica e está se recuperando do suicídio de seu melhor amigo. Pois é. Nada fácil.

“Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

Felizmente, ele conhece dois alunos mais velhos, Sam e Patrick (Emma Watson e Ezra Miller, respectivamente, ambos também muito bons), e a amizade do grupo floresce, começando com convites para outras atividades. Mesmo com altos e baixos pelo caminho (e “poucas” lágrimas), no final, tudo dá certo.

A maneira em que inúmeras produções e, inclusive, a nossa sociedade banalizam o conceito de “depressão” é tão insensível que me faz pensar na falta de empatia da humanidade. Pensam que é só uma fase, passa rápido, é frescura. Que iludidos! Tenho amigos com esse transtorno e eles vivem vidas completamente normais, felizes até. Só porque um deles pode se sentir miserável mais vezes que o normal não significa que a sua vida também é.

Nós somos infinitos. <3

Voltando ao filme, de acordo com a Associação de Ansiedade e Depressão da América, são inúmeros os sinais de que uma pessoa tem depressão, variando desde um sentimento persistente de culpa, inutilidade, pessimismo a pensamentos relacionados a suicídio ou morte em geral. Charlie apresenta alguns desses sintomas, mas consegue combatê-los, seja como for. Apesar disso e memórias pesadérrimas, ele tem pessoas ao seu redor que o amam e se importam, ou seja, o que realmente importa.

A representação de toda a complexidade da depressão no filme é linda, porque além de não banalizar o assunto como MUITOS fazem, não exagera no drama como fez a feirinha de fitas cassete. Pelo contrário: traz dimensão e humanidade aos personagens, além de fazer com que eles saiam dos clássicos estereótipos de high school. Para além disso, das ótimas atuações e do bom roteiro, a trilha sonora também é bem legal.

Encerro este especial com uma belíssima mensagem do filme e que ela sirva de apoio/lição: “eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Estão acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos”.

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