Desta vez farei diferente. Não há spoilers. Podem confiar em mim e ler sossegados. Não tem spoiler. Juro.


Acabou. Após mais de um ano de espera e uma temporada que foi tão consistente quanto foi modorrenta, a sétima temporada da série favorita de todo mundo terminou hoje, com seu season finale de quase 90 minutos. Uma reunião tomou metade do episódio, Sansa e Arya protagonizaram uma cena digna de novela das oito, Bran, aquele fela, finalmente se mostrou útil e o o título do episódio poderia ser também o de uma pornochanchada dos anos 70 dadas as circunstâncias do que acontece.

Após o término da entrada que todos amamos e que não veremos novamente sabe-se lá por quanto tempo, somos apresentados aos Imaculados sitiando Porto Real com a ajuda dos Dothraki. Tudo porque os três reis de Westeros vão se reunir para discutir uma trégua no afã de rechaçar a ameaça que é o Rei das Nights à civilização westerosi. Os preparativos da reunião vão como se espera, com Cersei explicando ao Montanha a ordem em que as pessoas devem morrer caso dê merda no encontro e Tyrion dando uma aula de poucas palavras sobre o êxodo rural: “Na cidade, os puteiros são melhores.” Bravo!

Bronn comanda a defesa da cidade e tira sua onda ao ser chamado de milorde. Ele então define também em poucas palavras a razão de ser do macho ao demonstrar toda a sua incredulidade com qualquer motivação que os eunucos Imaculados possam ter para lutar durante uma conversa com Jaime, que provavelmente não estaria lutando não fosse o controle que sua bilola tem sobre si e a preferência da dita cuja por ambientes familiares.

Ainda há tempo de Bronn (claramente obcecado por rola) nos lembrar do caráter mágico da bilonga de Podrick e chamá-lo para tomar uma birita, talvez até mesmo com algum plano quanto a isso. O Cão jura seu irmão Montanha à la Romário jurando Cafezinho naquele saudoso Flamengo x Madureira válido pelo campeonato carioca de 1997. Acho que falo por todos quando digo que quero ver esses dois saindo na porrada também à la Romário x Cafezinho em 1997.

A reunião começa e se desenrola de forma muito parecida com uma assembleia geral de condomínio. Cada condômino com um argumento, Daenerys fazendo o papel daquela vizinha estrela que chega atrasada voando num dragão e Euron Greyjoy interrompendo o início da reunião para dar um esculacho em Theon, aquele vizinho bunda mole que era DJ na adolescência mas hoje vive castrado pela esposa. A coisa vai se desenrolando de maneira até bastante civilizada, até que o Cão traz o zumbi capturado no episódio anterior e aí Cersei vê que realmente o negócio é sério. Qyburn demonstra todo o seu fetiche ao pegar na mão decepada, mas ainda animada, do zumbi e imaginar a miséria que ele não faria com aquilo. Jon, sempre o coroinha, tira o membro decepado das mãos de Qyburn e, como que num TED Talk, demonstra que o bicho pode ser derrotado com fogo ou vidro de dragão.

Todo encagaçado com aquilo, Euron se certifica que os bichos não nadam e diz que vai voltar para sua ilha para aguardar o fim do inverno, mais uma vez dando um showzinho como já fizera antes ao dar aquela zuada no sobrinho.

Depois de Euron sair de cena, Cersei imediatamente concorda com a trégua diante da prova irrefutável apresentada, mas, tentando se valer da já lendária otarice de Jon Snow, condiciona a trégua ao Rei no Norte prometer permanecer no norte depois de terminada a ameaça do Rei da Night. Jon, que sofre certamente de algum tipo de idiotia, recusa, pois ele já dobrou o joelho a Daenerys, proferindo a fala mais absurda do episódio: “Mentiras não nos ajudarão nessa luta!”. Ora, meu querido, mentiras ajudarão e ajudarão para um caralho, seu animal!

Claro que Cersei, literalmente uma rainha, diz que assim não dá, assim não quero, que os nortistas morram nas mãos de Renight e depois ela se vira contra quem ganhar. Jon evidentemente toma um esporro de todo mundo, em especial de sua tia Dany, que tenta colocar ainda mais culpa no coitado ao dizer que, por causa daquilo, o dragão dela teria morrido por nada. Mal sabia ela que a razão real do dragão dela ter morrido era a de permitir uma brecha no roteiro para os White Walkers passarem da muralha. Jon não teve nada a ver com isso, coitado.

Tyrion se arrisca e vai atrás de sua irmã, falando brevemente com Jaime antes. Em uma cena extremamente bem interpretada e dirigida, dois dos melhores atores e personagens da série, a Cersei de Lena Headey e o Tyrion de Peter Dinklage, têm seu acerto de contas e uma bela lavagem de roupa suja. Quero lembrar a todos que estamos aqui falando da roupa suja de uma família na qual parricídio, incesto, suicídio e o alcoolismo severo rolam solto. Não por acaso os dois conversam enquanto bebem o que parece ser um keep cooler de morango. O anão ainda consegue perceber que Cersei está grávida, o que ela inexplicavelmente não nega e ele também não conta para ninguém, o que talvez seja explicado pelo amor genuíno que ele nutria por seus sobrinhos.

Logo depois disso temos um dos grandes contrastes da série: as atuações. Após Headey e Dinklage demonstrarem domínio sob seu ofício em uma cena de emoções e sensações conflitantes, Jon Snow e Daenerys conversam sobre como ela o admira por ter basicamente colocado tudo a perder ao ficar de babaquicezinha. Ela esquece que seu filho, o dragão, morreu e agora está, ao que tudo indica, só pensando com sua flamejante bacurinha.

A conversa dos irmãos Lannister parece ter ido bem e Cersei volta para o play onde a reunião estava rolando. Ela muda de ideia e afirma que não só vai conceder a trégua, como também vai mandar seus exércitos para lutar contra a horda zumbi.

Cortamos aqui pela primeira vez para outro lugar que não Porto Real. Em Winterfell, Mindinho não tem mais pudor algum em suas tentativas de manipular Sansa. Mesmo sem ter a ajuda do seu irmão que tudo vê, Sansa teria de ser ainda mais burra do que é para continuar caindo no conto de Lorde Baelish. Tudo é explicado algumas cenas depois quando, em uma cena digna do Vale a Pena Ver de Novo, Sansa, com seu irmão até então inútil Bran sentado ao lado, convoca Arya para o Grande Salão de Winterfell como que para julgá-la. Mas, no último segundo, todas as acusações de assassinato e traição são jogadas contra Mindinho e ele faz uma cara que deixaria Rolando Lero orgulhoso.

Ainda que a condução da coisa toda tenha sido meio novelística, o fato é que descobrimos ali que Sansa provavelmente já estava trabalhando com Arya para desmascarar Mindinho desde dois episódios atrás. Temos também a confirmação de que foi Petyr Baelish quem conspirou para matar Jon Arryn (isso foi ANTES da 1a temporada, não se sinta mal se não se lembrar), o que acabou por dar início à famigerada guerra dos tronos.

Desta vez, Bran foi útil!!!!! Ele confirma que Mindinho fez a porra toda enquanto olha para o horizonte e dá detalhes meio bizarros, meio voyuerísticos. As pessoas, incrivelmente, acreditam nele e Sansa o sentencia à morte, execução levada à cabo por Arya usando aquela mesma adaga que os roteiristas fizeram questão de esfregar na nossa cara a temporada toda. Aqui cabe falar de todo o arco de Arya e Sansa, que chega a seu ápice e demonstra o quanto ambas amadureceram, não em pouca medida por causa do próprio amadurecimento de suas intérpretes. É um prazer em si só ver uma jovem atriz como Maisie Williams crescer física e profissionalmente a cada ano que passa.

De volta a Pedra do Dragão, Theon resolve pegar a meia dúzia que ainda sobrou dos homens de sua irmã e tentar ir salvá-la, mas os homens de ferro acharam a ideia de Euron boa e estão dispostos a achar uma ilha qualquer para estuprar as mulheres e esperar o inverno passar. Theon se aproveita que não tem mais colhões, consegue vencer uma luta contra um desses caras e agora todos, subitamente, o respeitam e seguem. Isto muito embora ele tenha deixado a rainha e capitã deles para morrer e seja mais inútil do que as seguidas joelhadas no saco que ele tomou.

De volta a Porto Real, Jaime está em conferência com seus oficiais para resolver as questões logísticas do movimento de suas tropas ao norte quando Cersei aparece e o desautoriza. Se você se achou traído por mim quando eu disse lá em cima que esse artigo não teria spoiler, então imagine o que não sentiu Jaime ao perceber que sua irmã/amante/esposa/mãe-de-seus-filhos/crush consegue ser ainda mais filha da puta do que ele antecipara. Jaime jura que vai para o Norte sozinho se for necessário e Cersei quase manda o Montanha matá-lo.

Este aqui é um ponto nevrálgico da série e que demonstra o quanto George Martin e sua orientação estão fazendo falta ao roteiro. Se ele tivesse escrito essa cena, a vida de Jaime teria sido horrivelmente ceifada ali mesmo e Cersei ainda faria com que o Montanha currasse o cadáver enquanto ela estivesse bebendo seu vinho e massageando seus mamilos.

Temos aqui agora a situação de que Cersei vai ficar na dela, esperar todo mundo se enfraquecer e depois tentar matar quem sobrar, tudo isso ignorando a ameaça real que é o Rei da Noite e usando a tal Companhia Dourada e seus 20 mil mercenários comprados pelo ouro do Jardim de Cima. A propósito, Euron ainda está bem galudo em Cersei, tanto é que não fugiu porra nenhuma e está na verdade fazendo um carreto para trazer esse galerê dourado todo aí.

Logo a seguir temos as duas melhores cenas do episódio e da temporada. A primeira é o encontro entre Bran e Sam, que acaba de chegar de Vila Velha em tempo recorde. Bran, FINALMENTE, conta pra alguém tudo que sabe e reconfirma, sem que paire mais qualquer dúvida, que Jon Snow é filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen, portanto sobrinho de Ned Stark e de Daenerys (irmão de Rhaegar). Enquanto Bran narra isso a Sam em off, Jon visita sua tia em sua cabine e, no mesmo momento em que Bran fala do amor entre Lyanna e Rhaegar, Jon, que antes nada sabia, mostra que suas aulas na escola de incesto Jaime Lannister foram frutíferas e dá uma bela duma torada na titia, em uma terna e um tanto chocha cena de amor.

Sam ainda tem tempo de dizer a Bran que leu em um livro que Rhaegar e Lyanna haviam se casado, de modo que Jon não é bastardo. Com essa informação, Bran acessa seu pen drive específico desse momento do espaço e tempo e descobre que isso não só é verdade, como que o nome de Jon é Aegon Targaryen, exatamente igual ao do último rei Targaryen gente boa, o avô de Dany e bisavô de Jon, pai do Rei Louco Aerys. Reparem que Daenerys, portanto, estava sendo feita por seu sobrinho que tem o mesmo nome de seu avô.

Bran conta tudo a Sam (porque ele não contou para suas irmãs ou para qualquer outra pessoa antes eu também não faço ideia), eles concluem que o herdeiro legítimo ao trono de ferro é Jon e então chegamos a cena que explica a razão de ser de toda essa temporada.

A temporada inteira foi um artifício de roteiro para permitir que Daenerys fosse além da muralha e que um de seus dragões fosse morto. Dessa forma, Renight, não contente com o nosso amigo zumburso, poderia ter também um dragão zumbi e SÓ ASSIM ser capaz de derrubar a muralha para atravessar seu exército. Aqui quero só abrir um parênteses para dizer que se, como eu, você sentiu falta de gigante zumbi, convenientemente ausentes do episódio anterior no qual teriam sido muito úteis quando Jon e sua trupe estavam presos na ilha no meio do lago, desta vez eles estão lá no meio.

Renight voa com seu dragão zumbi que cospe fogo azul e poderosíssimo, trazendo a ponta da muralha abaixo e provavelmente matando Beric e Tormund no processo, apesar de não os vermos morrendo diretamente. Parece difícil que tenha sobrevivido a isso aí embaixo. Seja como for, o fato é que, sem o dragão, o nosso glorioso Night King não teria conseguido derrubar a muralha em alguns segundos e estar até agora batendo na porta. Quero ressaltar também que, mesmo com um dragão a sua disposição, o exército da noite demorou duas semanas para cobrir a distância que havia tomado algumas horas para Gendry correndo e Jon de cavalo.

E é assim que termina esta desgraça. Temos uma próxima temporada marcada para o ano que vem, mas já há rumores de que atrasará. Este foi mais um episódio bom, mas nada de espetacular e que, mais uma vez, deixa claro que a ausência de George Martin na equipe de roteiristas, ainda que que como um mero consultor, está sendo sentida. Mais e mais a série se encaminha para um épico de ação, com soluções um tanto desleixadas e genéricas para suas resoluções e deixando um pouco de lado a parte mais política, intriga e reviravoltas malucas e inesperadas.

Ficamos aqui todos com aquela sensação que tivemos quando terminou aquele segundo filme do Senhor dos Anéis (Duas Torres), como se todos os sete episódios tivessem sido uma grande preparação para os seis episódios da oitava temporada, que provavelmente serão repletos de ação, batalhas e dragões se comendo de porrada. Essa semana ainda publicaremos um especial sobre esta temporada de Game of Thrones. Fiquem ligados!

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