O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


O Garimpo de hoje vai à Amazon Prime outra vez para buscar três bons títulos de menor expressão.

Todos em língua inglesa e com uma pegada um pouco mais para o suspense, mas flertando muito intimamente com o drama (em alguns casos mais específicos), dois deles tiveram uma passagem rápida pelos cinemas e o outro eu só esbarrei mesmo no streaming (não lembrando de tê-lo notado nas salas da cidade). No entanto, isso em nada impacta o quanto os filmes são bons.

Um drama sobre as fraquezas de uma adolescente que busca se tornar outra pessoa, com tons de suspense e terror; um mais voltado para o medo e susto de pai e filho durante sua rotineira, mas bizarra jornada de trabalho; e um que trata sobre os desejos mais íntimos, com uma roupagem comum aos gêneros supracitados, são os escolhidos da vez.


Não Olhe (Look Away), de 2018, dirigido por Assaf Bernstein

Maria (em belíssima atuação de India Eisley) é uma menina de aparência frágil, sem apetite, sem relações e sem amor próprio. O único contato que tem no ambiente escolar é a colega Lily (Penelope Mitchell), muito mais por ser amiga de infância do que por ter qualquer apreço pelos atuais dilemas e conflitos da jovem companheira. Os pais de Maria surgem como oposição ao que a filha representa: são por demais ligados pela estética, a ponto de impor suas prioridades à filha indefesa. Para somar a este contexto de frustração, o sempre presente bully está lá, nos longos corredores gelados de uma instituição sem cor, a zombar da chorosa menina, locupletando-se da angústia dela.

É nesse momento que ela decide se tornar outra pessoa, deixando-se levar pela sua mente que busca libertação, poder, vontade de potência. Sendo assim, ela troca de lugar com o seu oposto, isto é, seu reflexo no espelho. Eis que, portanto, a menina frágil, largada à sorte daqueles que não consideram seus desejos, tem uma nova criação a partir do seu oposto refletido: força e controle passam a ser seus ideais. Maria, agora como Airam (seu contrário), dá vazão a tudo o que sempre retraíra.

Estamos de frente para a construção e emersão de um psicopata.

Leia a crítica completa aqui.

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