Em 1994, o pequeno Fields de 11 anos se tornou um otaku, fã dos desenhos japoneses conhecidos como animes, com a estreia de Cavaleiros do Zodíaco na Rede Manchete. Depois de muitos outros animes avidamente assistidos durante a década de 90, eis que me deparo com algo que viria a ser a minha maior paixão no mundo da ficção.

Perto da meia-noite, enquanto rodava os canais da extinta TVA, um desenho com traços diferentes me chamou a atenção no Cartoon Network. Era nada mais nada menos que Dragon Ball Z. Desde então, a série, que eu assistia com minha irmã (e ainda assisto!), se tornou parte fundamental do meu ser, vindo a ilustrar algumas das minhas tatuagens e a se tornar objeto de minha obsessão.

Melhor saga do melhor anime de todos os tempos.

Concomitantemente com o Z, também via Dragon Ball no SBT, o prequel por assim dizer. Como era gratificante ver o desenvolvimento dos personagens, especialmente Goku, da sua infância até se tornarem avós ou morrerem.

O final de Dragon Ball Z foi um duro golpe e, mesmo com Dragon Ball GT sendo transmitido (uma continuação muito criticada por não ter sido desenvolvida diretamente pelo seu criador), eu perdi o interesse completamente em animes e caí num grande hiato de perto de 8 anos sem ver praticamente nada do gênero.

Confesso que sentia uma grande nostalgia ao ver os longas do Estúdio Ghibli, do mestre Miyazaki. Via ali como os animes eram maduros e conseguiam fazer o que eu mais sinto falta no cinema: pegar um tema fantástico e transformar em algo crível. Esteticamente muitos animes são lindos e existe grande preocupação com o desenvolvimento dos personagens. Uma vez que nos acostumamos com a cultura japonesa no seu dia-a-dia (que é diferente do nosso, mas nem tanto assim), conseguimos criar maior empatia com personagens que podem até não ser humanos.

No início dos anos de 2010 sou confrontado e coagido por meus alunos, indignados com a minha ausência do mundo dos animes, a voltar a assistir. Inclusive, tenho hoje em dia turmas no qual posso passar a semana inteira falando sobre inúmeros animes, trocando indicações ou cantando aberturas quando acaba a aula, coisa que nunca sonhei ser possível enquanto era vítima de bullying por ter o estojo do Hyoga de Cisne na época de aluno. Foi unânime que eu deveria retomar meu caminho pelo Death Note… e meo deos… que coisa mais absurda e magnífica.

Esperando por um whitewashing violento na longa da Netflix.

Death Note merece, e terá, seu Assista! perto da estreia do longa no Netflix em agosto, mas eu tive que me adaptar à nova forma de como os animes são apresentados. Eu era um otaku raiz, via e conhecia os animes por seu nome dublado ou em inglês e via a série dublada e com algumas ótimas localizações.

Hoje em dia não é bem assim que funciona e eu luto com algumas dificuldades. Basicamente os otakus nutellas se referem aos animes pelo seu nome original, em japonês, e assistem, também, no idioma natal. Embora ache isso muito justo, sinto falta das clássicas dublagens, como o inesquecível trabalho realizado em Yu Yu Hakusho.

A Netflix vem se dedicando bastante na produção e compra de direitos de animes, mas seu catálago ainda não é muito vasto e não apresenta muitos clássicos. Felizmente, com a popularização cada vez mais massiva do streaming, surge o Crunchyroll.

Esse serviço é dedicado exclusivamente ao anime e séries japonesas. A maior parte de seu conteúdo pode ser visto sem assinar, mas a assinatura custa apenas $5 doletas e vale a muito a pena, em especial porque os muitos e incessantes intervalos comerciais deixam de existir.

As obras que indico hoje são um tanto badaladas pelo público otaku, mas infelizmente desconhecidas do grande público que ama TV e cinema. Recomendo fortemente que você se entregue a experiência sem preconceitos. Garanto que não se arrependerá.

Ryan por Helena Rezende, @leh_deshi no Instagram.

Sugestões para você: