Corpo e Alma (Teströl és lélekröl), lançado em 21 de dezembro de 2017, dirigido por Ildikó Enyedi

“O roteiro do diretor, apesar de esbarrar em alguns clichês na abordagem das condições psíquicas, ganha toda a força na interpretação da dupla de protagonistas. A escolha dos atores foi acertadíssima, construindo em cena uma simbiose que reforça a ideia principal da narrativa: o corpo e a alma. Morcsányi constrói a solidão do gerente com uma crueza que se corporifica em cada gesto (contido) da personagem. Já Borbély aposta em uma interpretação quase glacial de sua Mária, trazendo para a tela momentos em que a naturalidade stalisnaviskiana é abandonada e substituída por uma teatralidade de gestos quase coreográficos. Uma atuação de encher os olhos e de causar um ‘incômodo bom’. Corpo e Alma é uma agradável e forte surpresa nesse final de 2017. É um filme cheio dos dois substantivos que formam o seu título. Além da língua, é bom que o Diabo passe a dar uma olhadinha na cinematografia húngara também.”

Por Marco Medeiros em crítica publicada em 22 de dezembro de 2017


Afterimage (Powidoki), lançado em 17 de agosto de 2017, dirigido por Andrzej Wajda

Afterimage é um trabalho maduro, sóbrio, a conclusão de uma carreira e, acima de tudo, relato de quem lutou contra as muralhas de impérios ditatórias. Se é impecável na parte técnica, o roteiro não hesita em suas tiragens políticas e sobretudo no papel da arte. É no pintor, que deveria encarnar o espírito da revolução, onde Wajda coloca toda a angústia e ceticismo sobre um regime cuja alma está podre das entranhas até o coração. Na perseguição, no ostracismo, por uma estrutura que fundou, Strzeminski nunca perde sua convicção, arte como imortal forma de oposição, na busca pelo que está por trás da imagem, fachadas e cimentos, o que permeia nossos sonhos sacros e noites de barro. Em seu ataque à arte panfletária, que alimenta a hegemonia cultural seja ela qual for, Wajda molda uma obra soberba que faz pensar em liberdade, nas janelas abertas em meio a solidão.”

Por Thotti Cardoso em crítica publicada em 19 de agosto de 2017

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