Thelma, lançado em 30 de novembro de 2017, dirigido por Joachim Trier

Sequer dizer exatamente o gênero a que pertence o norueguês Thelma é dar um spoiler imediato e desnecessário. Limito-me aqui a dizer que trata-se de uma poderosa (talvez até exageradamente poderosa) alegoria que nos alerta das potenciais consequências devastadoras da repressão, seja ela parental, religiosa ou, expandindo mais o tema central da obra, seja ela de qualquer forma. Eu sou um obcecado por personagens que buscam ser os mais fiéis ao que realmente são quanto possível. E Thelma nada mais é do que um libelo a favor da liberdade do indivíduo de ser tudo aquilo que ele deseja ser, a despeito do que o grupo a que pertença exige que ele seja. Contando com uma direção virtuosa do brilhante Joachim Trier, não é a toa que Thelma é o filme indicado pela Noruega para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Por Gustavo David


A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição (Noces), lançado em 22 de junho de 2017, dirigido por Stephan Streker

Tem sido muito comum o Cinema, especialmente as produções de países europeus imperialistas, começar a dar voz aos colonizados/subjugados. Na França (talvez mais do que nos outros), a questão muçulmana tem sido visitada repetidas vezes. A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição é mais um desses casos. Stephan Streker realiza uma obra sutil e tocante a partir da história de Zahira, uma garota de 18 anos, de origem muçulmana, mas que vive plenamente inserida na sociedade francesa. O tema da identidade é o foco principal, pois Zahira fala a língua local, sai com seus amigos para atividades puramente ocidentais, mas guarda as crenças e ritos islâmicos. No entanto, a corda bamba na qual dança habilmente começa a chacoalhar quando, apaixonada por um europeu, ela se vê obrigada a encarar um casamento pré-selecionado, de acordo com as tradições de sua origem. Tudo isso tendo que ser administrado juntamente com sua gravidez (evidentemente) não planejada, sendo o aborto uma possibilidade que, mais uma vez, bate de frente com suas crenças. Stephan Streker acerta, desde a escolha das cores predominantes em cena até seu casting, fazendo-nos mergulhar no universo de incertezas daqueles que enfrentam conflitos com identidade e se vêem, usualmente, desenquadrados de acordo com todos os modelos que lhes são impostos.
Por Rene Michel Vettori

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