Glitch, criada por Tony Ayres e Louise Fox, disponível na Netflix

Após assistir o excelente filme australiano “The Rover – A Caçada“, a Netflix me indicou outra obra australiana: a série Glitch. A sinopse era interessante o suficiente para me fazer começar a assistir e, puta que o pariu, como estou feliz de ter aceitado a sugestão. Em uma cidadezinha meio que no meio de lugar nenhum na Austrália, várias pessoas simplesmente voltam à vida e ressurgem de suas sepulturas. Temos aqui pessoas que estão mortas há poucos anos, há décadas e algumas há mais de um século. Todos voltam normalmente, como se nunca tivessem morrido e com suas consciências de antes, ainda que com dificuldade de lembrar completamente suas vidas pré-óbito. No meio disso tudo, está o policial James (Patrick Brammall), que tenta descobrir o que está acontecendo ao mesmo tempo que fracassa miseravelmente ao conciliar sua nova vida com o fato de que sua 1a esposa, morta há 2 anos, acaba de voltar da tumba. Os 6 episódios da 1a temporada fazem um excelente trabalho de induzir o espectador a fazer várias perguntas sobre o que está acontecendo. Já na 2a, que estreou esse ano pelo Canal ABC na Austrália e pela Netflix internacionalmente, várias das perguntas são respondidas em uma série tecnicamente sem falhas e com atuações consistentes. Pense em Lost, mas com alguém se preocupando em dar respostas e não apenas em fazer perguntas. É refrescante que uma série com este tipo de tema, que entretém sem deixar de discutir temas relevantes como religiosidade e existencialismo, seja produzida fora dos EUA.
Por Gustavo David
Crítica da 2a temporada publicada em 29 de novembro de 2017


Atypical, criada por Robia Rashid, disponível na Netflix

“Quando a Netflix anunciou que lançaria uma série focada em um menino com autismo que se vê diante da adolescência e dos ritos que a envolvem, tive duas imediatas reações. A primeira foi de ficar bastante animada com a sinopse, muito pelo fato de trazer à superfície um transtorno negligenciado pela mídia. A outra foi de ficar apreensiva com as possibilidades de isso dar errado. (…) Atypical é uma série que surpreende positivamente por sua leveza, pegada cômica e bom desenvolvimento. Finalmente uma série adolescente à qual consigo me conectar sem esforços e até mesmo traçar paralelos com minha vida. Afinal, Sam, o amor é essa doideira aí mesmo e, por mais que você tente entender e ser empírico, acaba sendo labiríntico vez ou outra. As pessoas irão, inevitavelmente, sentir mágoa, ser causa de mágoa, amar, desamar, ficar confusas e fazer merda. O segredo é olhar para a lista dos prós e dar um sorrisinho gostoso com o canto da boca que faça o esforço e as doideiras fazerem sentido.”
Por Larissa Moreno em crítica publicada em 12 de agosto de 2017

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