O Animal Cordial, dirigido por Gabriela Amaral, lançado em 9 de agosto

Ao mesmo tempo tributo aos grandes do cinema, comentário social e um tour de force de um elenco azeitadíssimo, O Animal Cordial é antes de tudo um filme que sabe o que quer – entreter – e o faz de forma despudorada, sem jamais atentar contra a inteligência do telespectador e enquanto critica de forma clara, ainda que indireta, as relações de poder em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira. Sua principal força, contudo, é a alegoria sobre o ser humano e sua eterna busca por propósito e a elação absoluta e contagiante de quem o encontra, tudo aqui embalado em um thriller dos bons, com performances estelares dos três principais pilares do elenco (Luciana Paes, Murilo Benício e Irandhir Santos) e um apreço deliciosamente doentio pelo gore que raramente é visto no cinema nacional.
Por Gustavo David
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Benzinho, dirigido por Gustavo Pizzi, lançado em 23 de agosto

Imagine um filme onde nada acontece mas tudo acontece como acontece nas vidas comuns. O diabo é que a gente não se dá conta de como acontecem coisas nas vidas comuns. Benzinho é isso. Uma sequência de acontecimentos comuns vividos por uma típica família classe média brasileira, cheia de sonhos, medos, partidas, conquistas e perrengues que fluem com uma naturalidade impressionante, a ponto de nos convencer que o diretor ligou a câmera e deixou personagens viverem suas vidas. Personagens autênticos vivem na pele de atores fabulosos que trocam diálogos extraordinários exatamente por serem tão ordinários e que soam como se não estivessem numa tela. Este é o valor de unicidade de Benzinho. Uma história comum que acontece como se acontecesse ali na esquina. E por ser comum é incomum, diante da enxurrada de roteiros esquematizados pelas melhores técnicas de prender o espectador com plots e viradas de storytelling que fazem Hollywood babar e as bilheterias transbordarem. Nada contra, adoro Hollywood, mas Benzinho é diferente. Quer ver? Passe um tempo numa família brasileira encontrada em qualquer bairro de classe média do Sudeste. Ou veja no Now. Você vai enxergar o Brasil num espelho. Talvez você descubra quem é Karine Teles, uma atriz fora do mainstream, que de tanta simplicidade dá uma lição de atuar, sem que ninguém perceba que está atuando.
Por José Guilherme Vereza

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