Para desespero de nosso Rene Michel Vettori, cuja vida se resume a esperar pelo Oscar para que ele possa reclamar dele e pela Itália na Copa do Mundo – e ela está fora da próxima – para que ele possa dizer que foi garfada pela arbitragem, a 90ª edição do prêmio da academia se encerrou na madrugada desta segunda. Sem nenhuma surpresa, aquilo que se imaginava que ganharia ganhou, com ou sem justiça.

Seguindo na mesma toada do nosso Garimpo Netflix: Indicados ao Oscar da semana passada, no qual a nossa curadoria apresentou tão somente filmes indicados que não levaram o careca pra casa, a edição desta semana é similar. Assim como naquele, as obras aqui indicadas não são de todo desconhecidas, pois todas elas ganharam Oscar, mas meio que se perderam no tempo, muito embora sejam todas excelentes e que valem o seu tempo.

Não deixem também de conferir o nosso MetaFictional Awards, com os grandes vencedores da Paçoca de Ouro de acordo com o nosso site!


Para Sempre Alice (Still Alice), de 2014, dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, vencedor do Oscar de Melhor Atriz para Julianne Moore

Alice (Julianne Moore) é uma mulher de se admirar: uma inteligentíssima linguista com uma carreira bem consolidada, uma família legal e um jeito maduro. No entanto, a partir do desenvolvimento de uma doença degenerativa, ela vai perdendo a capacidade de sua memória até se tornar inteiramente dependente de terceiros para levar sua rotina. O que me encanta nesse filme é o enfoque que ele dá à vida de Alice da perspectiva dela mesma, deixando como secundário como a família lida com isso. A importância disso é que a decadência pessoal, brilhantemente vivida por Moore, é o ponto chave para tornar o filme aterrorizante e angustiante – uma verdadeira obra de arte. A alteridade entre colocar-se no lugar da mulher e no lugar de seus amados é inevitável e qualquer lado que se escolha faz o telespectador mergulhar numa trama fantástica e sensível. Não em pouca medida, os méritos do título são de Julianne Moore, ganhadora de 26 prêmios (Oscar e Globo de Ouro inclusos) pela interpretação que é, sem dúvidas, uma das melhores de sua respeitável carreira de outras 4 indicações a Oscar.

Aqui cabe destacar também o trabalho surpreendente de Kristen Stewart como a filha caçula de casal formado por Moore e Alec Baldwin, demonstrando nuances interpretativas como a menina que não está sabendo muito bem lidar com a degeneração a olhos vistos de seu porto seguro, a mãe. Nuances estas que ninguém imaginaria que ela teria (e que veio a provar realmente ter em seus trabalhos posteriores) a julgar pelo seu mais célebre papel na série Crepúsculo.
Contribuiu Larissa Moreno

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