O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


O gênero Terror talvez seja aquele que conta com o nicho mais fiel dentre todos. Para alguns, porém, o Terror (ou Horror) surge como de importância secundária. Basta passar rapidamente o olho em festivais de Cinema, por exemplo: quase nunca (quiçá nunca) um filme com essas características sobressai dentre os demais. Muitos acusam este gênero de ser pobre em temática, construção e desenvolvimento. É verdade que há muito do mesmo. Mas isso não é o bastante para se fechar os olhos em relação a todos os seus títulos.

Existem diferentes formatos de se fazer terror: as narrativas adolescentes – que contam com festas, bebidas e nudez – nas quais surge um assassino serial; os contos mais sobrenaturais, colocando espíritos e/ou entidades que levam os protagonistas ao limite; filmes cujas casas demarcam o território, pois são nelas que os acontecimentos vão levando a história; entre muitos outros, que contam com possessões, exorcismos e até figuras monstruosas. Cada qual com seu sabor, seu estilo, seu pavor a ser passado ao espectador.

Tendo em vista esses vários tipos, o Garimpo Netflix Terror vol. 2 traz uma linha específica do gênero, mas não no formato ou em sua linguagem. Em todos os três títulos indicados dessa vez, o elemento principal da história está relacionado a ele – e sempre ele: nada mais, nada menos do que o cramulhão, o sinteco gelado, o mochila de criança, o chifrudo, o capiroto, o sete pele, o bafo de enxofre, o diabo, ele mesmo. Com narrativas bem diferentes entre si, e propostas que se distanciam, as três obras tem em comum a “simpatia pelo diabo”.


February (The Blackcoat’s Daughter), de 2015, dirigido por Oz Perkins

Duas meninas ficam em um internato religioso um feriado porque os pais de cada uma não foram buscá-las. Tratam-se de Rose (Lucy Boynton), uma adolescente destemida no que diz respeito à seguir regras, e Kat (em macabra atuação de Kiernan Shipka), uma menina nova e carente, levemente frágil em seu modo de se portar e sentir o ambiente ao seu redor. Porém, durante esse período em que a instituição está quase que completamente vazia, Kat começa a sentir a presença de algo obscuro, que levará cada um dos que ali ficaram a uma jornada de tensão, pavor e condenação.

February (que é o nome que consta na Netflix, mas o filme tem o nome em português de A Enviada do Mal e outro título original como The Blackcoat’s Daughter) é um filme com roupagem de terror, mas que trabalha profundamente os dramas psicológicos de seus protagonistas. Sua narrativa é extremamente lenta e o desenvolvimento da história se dá aos poucos, por meio de uma costura pouco didática, na qual o espectador tem que fazer um pouco do papel de tecelão. A partir do momento em que quem assiste imerge na obra (e não espera que a obra venha até ela), o conto vai se intensificando e se tornando cada vez mais assustador. Não deixando, porém, de manter a profundidade emocional e psicológica sobre a qual trata em todo seu desenrolar.

Lindamente atuado, narrado e dirigido, February é definitivamente um filmaço!

Sugestões para você: