O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Este garimpo não é feminista. Sou homem. Sou homem heterossexual. Sou homem heterossexual branco. Sou homem heterossexual branco de origem européia. Sou homem heterossexual branco de origem européia cristão-protestante. Não tenho sequer um ponto que pudesse me colocar dentro de um grupo minoritário, dentre os aqui listados. Provavelmente muito por causa disso, nunca sofri qualquer tipo de preconceito na vida. Pelo menos não no nível que qualquer minoria já passou ou (infelizmente) ainda passa. Por conta disso, considero leviano me denominar como parte de algum grupo de representatividade desses, ainda que concorde com muitos de seus pontos.

Isso, porém, não me impede de realizar uma ação cotidiana que absolutamente todo e qualquer ser humano deveria fazer. Isso não me impede um exercício diário de empatia. Colocar-se no lugar do outro para tentar, com o menor grau que seja, se ver em uma relação completamente diferente do padrão aceito socialmente, buscando entender a luta de outros grupos.

Tendo isto em mente, o Garimpo Netflix de hoje traz três títulos que não necessariamente debatem a luta das mulheres, mas que simplesmente as colocam como protagonistas. Acostumados ao padrão de narrativas com homens no foco principal da história, hoje queremos diferente. Queremos tão somente que as histórias que nos são narradas sejam protagonizadas por mulheres.


Una, de 2016, dirigido por Benedict Andrews

Una (em grande atuação de Rooney Mara) é uma mulher que não consegue exorcizar seu passado. O conflito que ela carrega atormenta as várias esferas de sua vida e, agora amadurecida, ela decide confrontar antigos fantasmas para poder seguir em frente. A tal assombração é feita de carne e vive: trata-se de um homem com quem teve um caso quando muito, muito nova; quando ainda se descobria mulher. Trata-se de um vizinho amigo da família já bem adulto, com certa idade, com quem tivera um relacionamento amoroso e sexual.

O filme anda de maneira extremamente delicada e sutil na tênue linha da crueldade, do abuso, do assédio, da ética e do amor. E – porque não? – de tudo isso a um só tempo. A sedução do homem bem mais velho a uma garota inocente e bastante jovem é sinopse suficiente para um veredito prévio. Mas a direção precisa de Benedict Andrews engolirá o espectador para dentro do furacão de sentimentos de seus personagens, onde julgamentos e conceitos tidos como verdades absolutas são abalados a cada sequência.

Da (i)moralidade ao amor, quantas camadas devem se apresentar como barreiras intransponíveis?

Leia a crítica completa do filme, quando de seu lançamento, pela rainha do MetaFictions, Larissa Moreno, aqui.

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