A Ganha-Pão (The Breadwinner), de 2017, dirigido por Nora Twomey

Situado no Afeganistão de 2001, controlado pelos Talibãs, A Ganha-Pão conta a sensível história de Parvana, filha de um professor que, além de não ter uma perna, é proibido de exercer sua atividade como comerciante para sustentar a família, já que, sem qualquer justificativa aparente, fora preso pelo exército local (parece-me que não só lá o professor é o inimigo da sociedade). Sem a figura do patriarca em uma sociedade marcada pela ação masculina que a todo instante esmaga a figura feminina, Parvana e sua família se vêem sem saída para conseguirem sobreviver diante do caos promovido por uma cultura e Estado que não consideram as iniciativas deste gênero. A única possibilidade de Parvana é se fantasiar de menino para, da maneira mais sutil possível, garantir o ganha pão diário, que poderá alimentar seus familiares, fazendo-os passar por mais um dia.

Todo realizado em animação, o filme aborda a questão primordial do ser vivo, apresentando a luta diária que travamos (muitas vezes sem perceber) para conseguir existir. Para além disso, aprofunda-se no universo tão menos sedutor e tão mais ameaçador de homens que se entendem superiores, onde as leis sustentam esta forma de pensar e agir, tentando (mas não sempre conseguindo) minar os valores das mulheres.

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