Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Há um tempo, o editor-chefe Gustavo David publicou um garimpo no qual declarava ter ficado boas horas de sua vida debruçado sobre o vasto catálogo da Netflix Brasil, especialmente para o seu deleite, caro leitor. Dali, ele tirara o que considerou ser a nata da nata (do momento) presente no acervo, escrevendo, portanto, o que veio a chamar de Garimpo Netflix: Os Melhores.

Um tanto mais desleixado que ele, eu não me permiti usar boas horas da minha vida para o mesmo objetivo. No entanto, batendo os olhos em títulos que apareciam (sugeridos pelo famigerado algoritmo ou propositalmente buscados por mim, pensando também no seu deleite pessoal, caro leitor), compus minha tríade de filmaços merecedores de destaque, mas que não foram amplamente contemplados pelo público em geral. Não que os considere os melhores (dentro do que se pode assumir como garimpo, obviamente), mesmo porque sequer tenho a menor expressão da totalidade que o streaming nos oferece. Mas, independentemente de qualquer coisa, trago para vocês três obras brilhantes, irretocáveis, que podem, sim, obter o título de “Os Melhores”.


– Sicario: Terra de Ninguém (Sicario), de 2015, dirigido por Denis Villeneuve

“Depois de assistir a esse filme, eu sinto vontade de tomar um banho”, disse um grande amigo meu (Anderson Gomes, colaborador do site que anda sumido de nossas publicações), quando fomos ao cinema para assistir Sicario: Terra de Ninguém (eu pela primeira vez, ele pela segunda).

De fato, o filme é sujo, sobre coisas e pessoas sujas, esfregando em nossa cara o quanto o mundo é sujo por natureza, já que é regulado por pessoas igualmente imundas. Na luta pelo combate às drogas, acompanhamos uma força-tarefa da qual participam diferentes personalidades desse conflito diário urbano, que gera cada vez mais debates inflamados e polarizados em nossa sociedade. Na equipe, uma agente com moralidade inabalável terá que repensar os limites que poderão ser atravessados para que o objetivo seja alcançado.

No entanto, o foco do filme não para por aí. Questões morais como a verdadeira política dos homens de poder que se escondem atrás dessa luta infinita; os agentes que (assim como os bandidos – estes muitas vezes protagonistas e não antagonistas nos discursos mais humanizados de uns) são tão somente um alvo a ser abatido diariamente, ao tentar assegurar a proteção da sociedade; e o próprio cotidiano pesado, vil e cruel dos policiais largados ao “Deus-dará” dentro desse conflito por sobrevivência são os principais elementos usados pelo excelente diretor Denis Villeneuve em sua poderosa obra sobre o que experimentamos em nossos dias (apesar de vivermos longe daquele palco, o nosso é muito semelhante).

A imundice humana que se atém aos nossos corpos, quando andamos na rua, quando estamos em nossas casas, ou isolados em nosso “seguro” pensar, vem aos poucos, sutil como poeira, mas que esconde em sua camada o que de belo poderia existir ali.

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