– 12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição (The Purge: Election Year), de 2016, dirigido por James DeMonaco

A indicação desse filme pode parecer “chover no molhado”, em especial porque há pouco indiquei o primeiro da franquia em nosso Garimpo Netflix: Sobrevivência. No entanto, muito embora mantenha a jogada principal da trama e da narrativa (isto é, as 12 horas anuais que os norte-americanos têm para promover todo o tipo de crime, já que esta abertura da lei diminui a criminalidade ao longo do restante do ano), a abordagem dessa terceira parte da série de filmes é bastante crítica e mexe com assuntos urgentes da política americana e internacional. Nela, acompanhamos as 12 horas da senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), candidata completamente contrária à medida, cujo plano de governo é extinguir a tal lei. Por seu posicionamento diante da máquina de lucro e extermínio dos mais pobres (visto que eles são os que menos recursos têm para se proteger), a personagem se torna alvo dos grupos do poder, desejosos por manter a nova tradição americana. Nessas 12 horas de puro terror e tensão, seu guarda pessoal Leo Barnes (Frank Grillo) irá tentar a todo custo garantir a sobrevivência da senadora.

Algumas situações buscam soluções narrativas semelhantes as que já vimos nos episódios predecessores da franquia, mas a forma como James DeMonaco consegue discutir embates da nova política norte-americana da vida real, a partir de seu universo ficcional, é invejável. Mais do que outro filme de fuga e sobrevivência, este se destaca por seu papel crítico em meio a um mundo cada vez mais intolerante e movido a ódio, o qual busca a todo custo bodes expiatórios para justificativas simples e simplórias.

Quando a lei passa a legalizar o que sempre punira, o pacto social fraqueja e a sociedade começa a colapsar.

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