Delírio (Bottom of the World), de 2017, dirigido por Richard Sears

Alex (Douglas Smith) e Scarlett (Jena Malone) formam um casal a viajar pelos Estados Unidos. No meio do caminho, decidem parar em um charmoso hotel de beira de estrada. Aparentemente vazio, inclusive de funcionários, os namorados se hospedam ali. E é nessa simples ação que tudo desanda. Figuras estranhas começam a fazer parte do universo dos apaixonados, como um homem todo de preto que parece ficar à espreita; ou um canal de televisão com um pastor que prega, aparentemente, diretamente para eles. O que fazia sentido neste conto vai sendo subvertido quando, ao acordar, Alex se dá conta que Scarlett sumira do quarto.

Em busca de resposta pelo paradeiro de sua companheira, Alex é envolvido em uma trama nada trivial, que remete a elementos oníricos. A partir daqui, o filme vai largando o espectador sem respostas, mas dando muitos elementos para diversas interpretações. Muito mais do que um mero flerte, a obra é claramente inspirada em “Cidade dos Sonhos”, de David Lynch. Mesmo sem o brilhantismo do clássico diretor, Delírio consegue envolver seu espectador e enveredar por trilhas muito interessantes em seu leque de possibilidades interpretativas.

Da alegoria de um relacionamento em crise ao despertar do auto-conhecimento de uma mente desequilibrada, muitos são os caminhos que a realização de Richard Sears pode sugerir.

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