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No começo do ano, publicamos o Garimpo Netflix: Psicopatas, no qual eu descrevi o interesse que este assunto desperta em mim. Na realidade, mais do que uma curiosidade pessoal, este tema demonstra grande impacto ao se analisar a quantidade de obras produzidas acerca deste universo, sejam elas baseadas em casos reais, sejam tão somente inspiradas em histórias do gênero.

Revisitando, portanto, o tema, neste volume 2 buscamos dois casos reais e um fictício para compor mais uma rodada do que o ser humano é capaz, isento de toda e qualquer capa de moralidade, de provocar a um semelhante. Certamente, desta vez, as três realizações vêm dos Estados Unidos, local onde a figura do psicopata parece encontrar maior conforto para atuar.


Corra! (Get Out), de 2017, dirigido por Jordan Peele

Começamos pela única indicação fictícia entre as três. Vencedor do Oscar de melhor roteiro original exatamente por este filme, Jordan Peele se utiliza de elementos de suspense, terror e psicopatia para tratar da questão racial, extremamente urgente a todos nós, visto que os casos de preconceito se reacenderam, não dando qualquer sinal de trégua.

Em Corra!, acompanhamos o relacionamento do negro Chris Washington (Daniel Kaluuya) com uma namorada branca, Rose Armitage (Allison Williams), em seus primeiros passos. A construção do amor entre ambos parece ser algo sólido, que supera qualquer forma de preconceito normalmente (péssimo uso da palavra) estabelecido em casos como este. Inclusive, se você analisar bem de perto a maioria das produções norte-americanas, notará que dificilmente vemos casais interraciais entre os protagonistas. Quebrando, a priori, este modelo, Peele segue com seu conto.

No entanto, tudo muda por completo quando Chris recebe o convite para conhecer os pais de Rose, em sua propriedade. Ali, um baile macabro se inicia enquanto antigos modelos de pensamento vão sendo ressuscitados. Como alegorias do que hoje vemos, Jordan vai desmascarando uma sociedade que tenta esconder ideologias arcaicas, mas que se utilizam de um véu tão fino que se torna incapaz de mantê-las em segredo.

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