O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Todo mês, quando penso no próximo garimpo a construir, sempre me pego escolhendo algum tema. Como um fio condutor entre os três títulos apresentados, a fazer sentido dentro da publicação. É mais uma mania minha do que uma necessidade. O “brilhante” (termo posto em aspas pelo próprio e não por mim – não que ele não seja, porém) Big Boss Chefia Guguito Guddu insiste que o quadro não carece de tema e que bastam três obras boas para o deleite de nosso leitor/espectador, independente de qualquer assunto que os ligue. Dessa vez, me entreguei.

Mais do que isso, fiz bem diferente do que o costume. Estava com dois títulos nacionais engatilhados para um terceiro Garimpo Brasil (aproveite e passe os olhos pelas nossas indicações tupiniquins anteriores: Garimpo Netflix: Brasil e Garimpo Netflix: Cinema Nacional) aqui no site. Acontece que resolvi colocar um deles (guardando o outro para nova oportunidade) lado a lado com grandes obras do Cinema de alta distribuição. Acontece, ainda, que o título brasileiro muito provavelmente seja o melhor entre os aqui citados.

Assim sendo, trago-vos uma produção francesa (em muito também falada em inglês), uma inglesa/francesa e uma (como já anunciado) brasileira.


Personal Shopper, de 2016, dirigido por Olivier Assayas

Uma produção nada trivial, que mistura suspense, drama e mistério, impacta com seus significados, sua nuances e sua profundidade a chacoalhar o espectador nas cenas mais intensas. Através da história de Maureen (Kristen Stewart) conhecemos os conflitos mais naturais e sensíveis de uma personal shopper, a se reconstruir emocionalmente após a perda de seu irmão gêmeo. Mais do que isso, a personal shopper é uma médium que sofre de um problema de saúde igual ao do irmão.

Uma sinopse aparentemente sem muita substância é, na verdade, um filme realmente sério e contundente acerca da crise enorme de identidade e de espiritualidade pela qual passa a protagonista. O fantasma do irmão (literal ou figurado) é a representação de uma dificuldade grande de se desvencilhar dos traumas que surgem e de se refazer a partir dos escombros que se apresentam dentro de um ser frágil e abatido. Balançando no fio da navalha entre ser o manequim a vestir a pele cara das roupas de grife de sua “patroa” e ser uma “cópia” genética de seu irmão, além de um receptor do Além, Maureen é a representação do que somos em vida: indivíduos tentando diversas aparências, em busca de sua própria identidade principal.

Aproveite e confira a crítica na íntegra.

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