– American Crime Story: The People vs OJ Simpson, de 2016, criado por Scott Alexander e Larry Karaszewski 

A série American Crime Story se presta a recontar os meandros dos crimes mais famosos dos Estados Unidos da América, sua primeira temporada foi sobre os assassinatos mais polêmicos da história daquele país até então. Em junho (olha junho aí novamente) de 1994, Ronald Goldman e Nicole Brown Simpson, então ex-esposa do astro do futebol americano e ator OJ Simpson, são brutalmente assassinados a facadas. OJ é mais um dos muitos negros americanos (tal qual ocorre aqui) que encontraram no esporte uma maneira de ascender socialmente e, por causa da montanha de provas que haviam contra si, era o único suspeito do assassinato da ex-mulher e do cara com quem aparentemente ela estava saindo.

O interessante desta série, contudo, não é discutir a culpa de OJ, sendo certo que hoje em dia é quase unanimidade entre gente de todas as cores que OJ é, sim, culpado. O que importa aqui é todo o contexto de tensão racial que circundava este que foi o julgamento mais midiático e cheio de excessos de que se tem notícia, uma vez que ele veio a acontecer quando os EUA ainda convalesciam da ferida ocasionada pela brutalidade policial contra Rodney King em 1991, o que deflagrou uma onda de protestos de um povo preto e oprimido que dizia “basta” àquilo tudo.

A minissérie – com maestria, roteiro impecável, direção exuberante e atuações acima da média de um elenco estrelado (Sterling K. Brown, Cuba Gooding Jr., Sarah Paulson, John Travolta, Courtney B. Vance, dentre outros) – vem para mostrar essa chaga gigante que segue aberta na sociedade americana, apresentando um julgamento no qual todas as sutilezas da questão racial nos EUA são postas em xeque e dissecando dolorosamente diversos elementos que explicam perfeitamente o que está acontecendo hoje.

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