Maniac, de 2018, minissérie em 10 episódios, criada por Cary Joji Fukunaga e Patrick Somerville

Dirigida por Fukunaga (que fez sua fama na inigualável primeira temporada de “True Detective”) e escrita por Somerville (da boa “The Leftovers”), Maniac é uma minissérie original da Netflix cuja qualidade e esmero técnico não foi acompanhada por sucesso comercial, embora tenha em seu elenco gente gigante de Hollywood como Jonah Hill e Emma Stone. Acredito que isso ocorra por causa das diversas e elaboradíssimas camadas de metáforas da história em Owen (Jonah Hill) e Annie (Emma Stone), duas pessoas que sofrem de severos distúrbios psicológicos em uma espécie de presente alternativo em que as coisas são pagas com anúncios e chantagear alguém é um serviço legal e simples como o de uma tinturaria.

Com um ar de comédia em sua tentativa de discutir diversos transtornos mentais, em especial o do hilariante Dr. Mantleray (Justin Theroux), e uma direção de arte primorosa que imagina uma espécie de futuro do passado (estamos diante do que 2018 seria aos olhos de alguém em 1980), Fukunaga e Somerville botam Owen e Anna num grupo de estudo clínico de um novo tratamento farmacêutico cujo objetivo é simplesmente consertar as pessoas, tudo administrada por uma inteligência artificial demasiada humana baseada na mãe do Dr. Mantleray.

São diversos elementos colocados na tela em uma série que demanda a atenção do espectador, o que talvez explique o porquê de não ter tido o mesmo sucesso comercial de outras. Mas o que importa é que temos aqui uma obra de ficção científica de verdade, que consegue divertir e convidar à reflexão o tempo todo.

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