Um Crime em Comum (Un crimen común), de 2020, dirigido por Francisco Márquez

Se não me falha a memória, dos 6 títulos indicados nos garimpos “Ela” anteriores, apenas um não era americano, mas francês. Fazendo companhia a este, por não ser dos Estado Unidos, temos o argentino Um Crime em Comum. Nessa história completamente intimista, estamos lado a lado com Cecilia (Elisa Carricajo), uma professora de sociologia a viver na sua bolha acadêmica e social, enquanto cria seu filho pequeno e mantém uma relação excelente com sua diarista, Nebe (Mecha Martinez), de quem não faz diferença. Quando, porém, Cecilia descobre que a polícia executara o filho de Nebe na mesma noite em que ele batera, durante a madruga, em sua porta e ela não atendera por medo instintivo, a protagonista passa a viver aprisionada pela culpa de sua falta de ação.

Percorrendo o real, mas muitas vezes invisível, mundo da classe baixa e sem recursos, Cecilia atravessa sua bolha na tentativa de se redimir de seu ato milenar de lavar as mãos. Se em suas aulas e em seus textos parece pregar uma militância, em sua vida, até aqui, percebe que nada fizera de valoroso nesse sentido (na verdade, é a história de quase todos desse tipo). E somente o peso de sua consciência poderá mostrar o caminho que deve seguir.

Silencioso, intimista e forte.

 

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