– A Próxima Pele (La propera pell), de 2016, dirigido por Isa Campo & Isaki Lacuesta

Não me chame de burro ao iniciar o filme. Ele é falado em francês, mas logo voltamos à Espanha, onde a narrativa se desenvolverá. Trata-se de uma espécie de reformatório para jovens franceses sem família, que buscam um lugar no mundo. Entre eles, um garoto, a quem chamam de Leo (atuado com vitalidade por Àlex Monner), por ter aparecido muito pequeno e com a camisa de Leo Messi, parece ser um rebelde que tenta quebrar algumas regras; uma espécie de animal selvagem enjaulado pelo seu próprio corpo.

Em paralelo, na região da Catalunya, uma mulher, Ana (fortemente interpretada por Emma Suárez), tenta lidar com os fantasmas de oito anos atrás, quando perdera o marido na mesma ocasião em que seu filho desaparecera. No entanto, um fato ocorre ligando esses dois personagens: suspeita-se que “Leo” seja, na verdade, Gabriel, o filho desaparecido de Ana. O responsável pelo tal reformatório trata de aproximar os dois, objetivando descobrir se a identidade do garoto Leo é, de fato, aquela. Mas as poucas lembranças do menino são empecilho para isso.

Apesar de muitos duvidarem de que o rapaz é quem diz ser, Ana não coloca qualquer tipo de entrave para a relação dos dois e ambos vão se aprofundando em seu convívio diário. Nós, espectadores, assim como os demais do vilarejo, questionamos constantemente a figura de Leo como Gabriel, enquanto o filme vai nos colocando no meio de dois personagens que parecem preferir o calor do afeto à definitiva verdade, que pode se apresentar demasiado fria.

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