Maus (The Maus), de 2017, dirigido por  Yayo Herrero

Antes de abordar o filme em si, devo chamar atenção do espectador. É possível que, se assistir a esta obra por nossa indicação, vossa excelência retorne para um massacre verbal em nossas mídias. Portanto, mais uma vez, chamo a atenção do espectador. Este filme não é simples. Não traz respostas. Não é auto-explicativo. Pelo contrário. Muito pelo contrário. É uma produção mais autoral, cujo entendimento é tão mais expressivo quanto mais se conhecer a história prévia sobre a qual o longa trata – como se parte de suas definições estivessem para além da diegese (dimensão ficcional da narrativa). Aqui, os personagens funcionam muito mais como metáforas e ilustrações de algo muito maior do que como os indivíduos que conhecemos na narração promovida por Herrero.

O alemão Alex (August Wittgenstein) e a muçulmana bósnia Selma (Alma Terzic) são um casal que está caminhando em uma floresta da Bósnia e Herzegovina após o carro ter quebrado em pleno caminho. Apesar de estar em sua terra natal, Selma não se sente nada confortável, visto que está de volta, após muito tempo, ao local onde seus familiares foram vítimas do histórico Massacre de Srebrenica promovido pelas forças sérvias. Alex, por um momento, tenta buscar ajuda, deixando-a sozinha no local, quando fica à sós com duas pessoas da região, cujos olhares demonstram intenções nada louváveis.

Alex e Selma farão de tudo, desde tentar invocar o seu guardião espiritual, para quem tanto reza, até lutar com as próprias mãos para conseguir escapar de uma nova revisitação a um passado pouco distante e inegavelmente presente.

Sempre que uma sociedade se julgou superior à outra, o resultado não foi diferente de um extermínio.

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