Okja (Okja), de 2017, dirigido por Joon-ho Bong

O grande diretor Joon-ho Bong, mais uma vez, fala sobre as relações pessoais através de um filme forte que consegue pincelar várias áreas da vida humana, entrando fundo no afeto de uma criança com seu animal de estimação. Dessa forma, narra-nos a história de uma gigantesca empresa que, objetivando erradicar a fome, cria os chamados “super porcos”, raça produzida em laboratório; tendo enviado ao redor do mundo um número específico desses animais, com a idéia de torná-los íntimos às culturas locais. Após 10 anos, um concurso promovido por estes empresários irá selecionar o melhor “super porco” de todos. Com medo de perder “seu” animal de estimação, a jovem Mija fará de tudo para lutar pela vida de Okja – o animal criado por seu avô, e que se tornara um de seus melhores amigos.

O diretor, sensível como de costume, nesse mundo fictício – mas que dialoga cruelmente com a nossa realidade diária – ensaia pesadas críticas ao modo de vida humano, em geral. Mesmo partindo da relação entre um criança e um animal, a humanização do “super porco” Okja é tão intensa, que, em determinado momento, não conseguimos mais ver o bichão desengonçado que pode servir de comida a dezenas. Começamos a vê-lo como parte integrante das relações afetuosas daquela família oriental que cuidadosamente criara o animal, não vislumbrando-o como um banquete futuro, mas como um outro membro de seu convívio diário. Através de suas alegorias pontuais, Okja vai estampando muito claramente as odiosas ações humanas que, do contrário, desumanizam o próprio humano, fazendo de cada um de nós meras peças a realizar o contínuo e eterno movimento da engrenagem maior.

Se, em nosso dias, o homem desumaniza o seu igual, em Okja Joon-ho Bong humaniza todo e qualquer animal.

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