Ei, você, que viu o título e já fez cara feia por que documentário é chato: peço que dê uma chance. Eu particularmente gosto bastante do gênero documentário, mas entendo perfeitamente que há alguns que, se você não for vidrada no assunto, podem dar no saco. O maior erro dos documentários no geral é o ritmo; muitos pecam e dão sono mesmo, não vou meter de cultzona. Outros têm uma narrativa que se arrasta, cai no clichê estilo History Channel (que eu inclusive gostaria que ACABASSE por que é comumente um desserviço histórico).

No entanto, peço aqui genuinamente que vocês deem uma chance. Beleza? Separei aqui três documentários excelentes, diversos em tamanho e temática, muito bem produzidos e capazes de engajar o telespectador em alguns minutos apenas. Divirtam-se. Mesmo!


A Máscara Em Que Você Vive (The Mask You Live In), de 2015, dirigido por Jennifer Siebel Newsom

“Homem não chora”; “seja homem”; “isso é coisa de viadinho”; “engole o choro”. Essas são algumas frases comuns dentro do universo masculino e que, eu espero muito, estejam caindo conforme o tempo passa e a sociedade avança. Dentro da sombra do machismo, que é feito em prol da manutenção de privilégios para com a parcela masculina, não podemos negligenciar a influência negativa para essa mesma parte também. Em outras palavras, quero dizer que não é só a mulher que é atingida com o machismo – apesar de ele colocá-la como principal alvo e mantê-la como vítima em maior escala. Para um sistema funcionar o todo deve compactuar. No documentário, somos expostos à esse “pacto”, que mostra camadas dolorosas por baixo dos ditos benefícios de ser um homem em uma sociedade sexista.

Durante pouco mais de uma hora e meia ouvimos psicólogos, docentes e, claro, homens (crianças, adolescentes e adultos) contando sua própria perspectiva da coisa toda. O mais interessante é quando chegamos ao escopo de alguns tabus dentro do “mundo viril” : afinal, por que raios um homem não pode chorar? E então vemos as consequências de tanto abafamento emocional. Também nos deparamos com o peso que é forçado aos meninos, desde novos, a agirem de forma a provar sua masculinidade… e isso tudo para quê? Ironicamente, tanto alarde tem como produto uma masculinidade fragilizada que sente-se ameaçada por miudices como uma roupa apertada, uma cor “de menina” ou uma lágrima quando triste. Esse documentário é necessário. Muito necessário.

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