A 13ª Emenda (13th), de 2016, dirigido por Ava DuVernay

A abolição da escravatura não é, em grande parte dos recortes históricos, um enorme símbolo de justiça, liberdade e benevolência dos colonizadores na prática. Aqui no Brasil, os ex-escravos foram jogados na sociedade sem perspectivas de integração, tendo que encarar não só o racismo como também a vinda de imigrantes que simbolizavam o embranquecimento do país e “mão de obra qualificada”. Nos Estados Unidos, um país que se gaba pela constituição liberal, inclusiva e tolerante, que teve a questão da abolição como motor da Guerra Civil, o cenário não é muito diferente. Mais drástico que aqui, lá houve a abolição e pouco depois a segregação institucionalizada, que deu continuidade à desigualdade racial desde a ida dos negros para a “terra da liberdade e o lar dos corajosos”.

Tendo sido até mesmo indicado ao Oscar deste ano,  A 13ª Emenda nos mostra como a política de ódio racial americana ainda é muito presente e sorrateiramente faz a manutenção de privilégios para os brancos de maneiras diversas. Abordando a superpopulação carcerária americana, que já foi diagnosticada como a maior DO MUNDO, a narrativa correlaciona com a constante discriminação racial que os não-brancos sofrem no país. A escravidão não foi o fim e mostra ter cimentado um caminho de perseguição e de uso da população negra como bode expiatório econômico, político e social. Afinal, na 13ª emenda fica claro que o trabalho escravo é proibido perante a lei – salvo enquanto punição por um crime. E nada mais conveniente que enquadrar, literalmente, uma população socialmente marginalizada nessa lógica…

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