Bokeh, de 2017, dirigido por Geoffrey Orthwein e Andrew Sullivan

Pra fechar, uma produção americana/islandesa com um papo pra lá de niilista existencial. Bem minha cara. Imagina: você tá na paz com seu novo amorzinho em uma terra paradisíaca, vocês não descobriram ainda que um tem bafo e outro chulé quando, boom, todo mundo some. Todo mundo mesmo. O que era pra ser um escape da realidade torna-se uma dura e inevitável rotina… onde o outro é seu único conforto. Mas também seu único problema.

É isso que o casal Jenai (Maika Monroe) e Riley (Matt O’Leary) experienciam. Os dois devem, sem rodeios, fazer com que se bastem. Sem nenhuma previsão do mundo voltar como era antes, eles tentam se encaixar nessa simples e aberta realidade. Um vê como recomeço. Outro, como interminável angústia. Até porque, como Sr. Sartre já mostrou, essa angústia vem justamente da tomada de consciência de que somos livres. E a liberdade, chegado certo ponto, pode ser assustadora. Eu fiquei aflita com essa ideia de depósito inteiriço de necessidades em uma só pessoa. Acho que sou a Jenai da história…

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