Laranjas e Sol (Oranges and Sunshine), de 2010, dirigido por Jim Loach

Imagine que suas memórias de infância, por qualquer motivo que seja, foram apagadas. Nenhuma lembrança nebulosa restante. Mas não devido a um universo distópico no qual as mentes humanas são controladas. Na verdade, devido a um universo demasiado real no qual seres humanos tomam em suas mãos outros seres humanos, sem qualquer prerrogativa, e os enviam para um continente, onde iniciarão uma nova vida. Crianças, aos milhares, para trabalharem e sofrerem toda sorte de abusos por parte de seus “tutores”. Esse trauma, porém, a memória faz um esforço insistente para jamais esquecer. Trata-se da história, de fato real, sobre crianças britânicas separadas arbitrariamente de suas famílias e enviadas à Austrália.

No corpo de Margaret (sempre bem por Emily Watson), uma assistente social britânica, a narrativa vai se desenvolvendo quando ela toma conhecimento sobre uma acusação de que anos atrás houve tráfico de crianças britânicas para a Austrália, impulsionado e acobertado pelo próprio governo inglês. Juntando dois irmãos que estiveram entre os alarmantes números dessa migração forçada, Margaret vai descobrindo uma rede de crianças que, agora adultos, buscam um retorno às suas origens. Vislumbram a possibilidade de reencontrar aqueles de quem foram tirados, aqueles cujas características carregam em cada parte de si mesmos. Para isso, porém, precisam revisitar memórias jamais perdidas de um passado traumático e desgostoso.

Dirigido por Jim Loach, Laranjas e Sol conta com a delicadeza e realismo que impactam através da simplicidade narrativa. Um elemento que vem da origem deste diretor: filho do adorável e brilhante Ken Loach.

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